Não em Portugal, onde, após séculos de segregação de uma cultura colectivista e de aversão ao risco, o Estado é o alfa e ómega da vida dos cidadãos. Por isso, em Portugal as instituições privadas, empresas ou outras, são no máximo toleradas em áreas onde o Estado definitivamente não proporciona bens ou serviços. É como que a inversão enviesada do princípio da subsidiariedade: «o privado», assim é designada a excrescência fora do mausoléu estatal, só deve ser «autorizado» a intervir se o Estado não estiver para aí voltado.
É assim para generalidade dos portugueses e muito especialmente para a esquerdalhada militante, incluindo os jornalistas de causas que referem «o privado» com uma conotação negativa sempre implícita de ilegitimidade e abuso. Alguns exemplos recentes de títulos:
- «Hospitais pagam cem milhões em cirurgias no privado»
- «Privados sugam 150 milhões em análises clínicas»
- «Bloco fala em “porta giratória” entre o Governo e o privado
- «Estado "deve poder capitalizar CGD em pé de igualdade com o privado"»
- «Estado ajuda a pagar propinas de 29 mil alunos no privado»
- «Patrões rejeitam horário de 35 horas no privado e mais férias»