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27/06/2016

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (37)

Outras avarias da geringonça.

Depois de 6 meses a tomar medidas e a criar um clima social e económico desincentivador da iniciativa empresarial, o que não podia deixar de afectar as exportações, o chefe da geringonça convocou 14 grandes empresas exportadoras para as incentivar a exportar. Devemos perdoar-lhe porque Costa, com uma formação académica na área da retórica e uma vida inteira dedicada à intriga política, não faz a mais ligeira ideia de como funciona a economia, não compreende a lógica empresarial e facilmente imagina que com duas tretas e três promessas os empresários exportarão mais. Tolice por tolice, mais valeria convocar as 14 maiores empresas importadoras de produtos portugueses.


Se pensar em convocatórias de empresários, Costa deveria ponderar convocar os potenciais maiores investidores estrangeiros porque o investimento português está de rastos. Para os seduzir, o chefe da geringonça pode apresentar o exemplo da Avanza, empresa mexicana que ganhou o concurso para a concessão do Metro de Lisboa e da Carris que se prepara para accionar o Estado português pela reversão das concessões, a exemplo da  Alsa e da Transdev. Melhores referências é difícil.

Do mesmo modo que um assaltante moderno faz um estudo prévio dos locais a assaltar, o Estado Sucialista irá obrigar bancos, seguradoras e sociedades gestoras de fundos e informar o fisco das poupanças aplicadas pelos seus clientes residentes em Portugal. Infelizmente para o saque fiscal, segundo dados do INE,  a taxa de poupança das famílias no 1.º trimestre voltou a descer 0,8 pp para 3,5%, devido ao aumento do consumo privado, sobretudo de bens duradouros - são as políticas da geringonça de incentivo do crescimento da economia... alemã, espanhola, francesa, etc.

Para não variar, a CE e o BCE insistiram numa declaração conjunta que a recuperação da economia está abaixo das expectativas, aumentando os riscos orçamentais e agravando as condições de financiamento. Nada que perturbe Centeno que garante ter dinheiro até meados de 2017. Se tiver - um "se" algo problemático - poderá agradecer ao governo antecessor que lhe deixou no final de 2015 uma herança de tesouraria "neoliberal" mais de 8 vezes superior à que herdou de Sócrates.

Além de mal agradecido, Centeno é pouco precavido e congratulou-se a si próprio por um défice de 3,2% no primeiro trimestre, o que, segundo ele, garantia já em Março mais de 2/3 da redução anual do défice. Esqueceu-se de mencionar que o milagre se ficou a dever ao regime de duodécimos do orçamento do governo "neoliberal" antes de ser aprovado o orçamento da geringonça.

Tomemos nota para memória futura sem esquecer que o aumento dos impostos sobre a produção e
a redução, uma vez mais, das despesas de investimento levada a cabo por quem se propunha aumentar o investimento público. Entretanto, registemos que, apenas dois dias depois, o milagre vaporizou-se ao serem conhecidos os dados da execução orçamental de Abril - num mês o défice aumentou para quase o dobro do 1.º trimestre.

Prossegue a saga Caixa com um novo episódio na quarta-feira passada, assim descrito por Bruno Vieira Amaral no Observador: «num inesperado golpe para as aspirações da nossa selecção, a SIC Notícias e a RTP interrompem a emissão futebolística e passam para o Ministério das Finanças, onde o ministro Mário Centeno, com um sentido de oportunidade digno dos melhores pontas-de-lança, explica aos portugueses o processo de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e anuncia que o Novo Banco não fará parte do onze inicial.»  Do pouco que Centeno disse, pode concluir-se que se há 6 meses prometeu que não seria gasto dinheiro público para salvar bancos agora propõe-se torrar na Caixa uma quantia, que não especificou para podermos assistir ao Portugal-Hungria em paz de espírito, mas que é um segredo de Polichinelo e serão 5 mil milhões, ou seja mais mil milhões do que os 4 mil milhões anteriormente falados. Os mil milhões adicionais tudo indica serão usados para mandar para uma reforma dourada 2 mil utentes do mausoléu da Avenida João XXI à razão de meio milhão por cada.

É caso para criar, como alguém sugeriu, uma associação de lesados da Caixa com uns milhões de contribuintes. Por falar em lesados, registo mais um milagre socialista obrado pela dupla de feiticeiros Costa-Centeno - o milagre dos fundos de indemnização sem capital.

Na continuação da política de re-moção dos dirigentes, o governo despediu mais 3 dirigentes do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas para abrir 3 vagas para os seus boys.

Roubando as palavras de Ferreira de Almeida no 4R, o ministro da Cultura teve uma iniciativa inovadora. Diferentemente do governo que tem feito e fará tudo para transformar as empresas públicas em museus, o amigo de Costa vai atribuir ao Museu Nacional de Arte Antiga o estatuto de empresa pública. Voilà.

Como reconheceu Nicolau Santos, um dos mais ardentes defensores da política dos governos socialistas de financiar resmas de doutoramentos para, alegadamente, incentivar a investigação e com ela a inovação, como fermento do desenvolvimento económico, dessas resmas de doutores (cerca de 4 mil) apenas 4% têm uma actividade empresarial principal, 54% são professores e 42% são investigadores. Se perguntarmos o que estes investigadores investigam, suspeito que somos capazes de ficar espantados - veja-se a série de posts «A fábula do surto inventivo que nos assola».

1 comentário:

Anónimo disse...

Ontem a Comun Sucia ainda apregoava o Podemos em segundo e já estavam votos contados acima dos 90%.
Hoje coloco um link que acho útil para se compreender melhor a España.
http://www.abc.es/opinion/abci-triunfo-espana-sensata-201606270238_noticia.html