Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

23/06/2016

BREIQUINGUE NIUZ: The British exception (2)


Financial Times
Já havia a «exception française» que os franceses inventaram para justificar aos olhos do resto do mundo as consequências do seu pendor «dirigiste» e do seu entranhado desvelo por «l’État». Temos agora The British exception, de pendor liberalizante, que o primeiro-ministro David Cameron – maldosamente alcunhado pelos seus detractores de «Chamaleon» - conseguiu impingir aos seus pares sob duas ameaças: uma imediata (não os deixar ir dormir), outra a prazo (Brexit).

A British exception consiste essencialmente em três garantias que os outros 27 lhe deram: isenção do compromisso de construção de uma «união cada vez mais estreita»; não discriminação pelos países da Zona Euro e limitação dos benefícios sociais dos emigrantes.

Se os 27 tivessem juízo ter-se-iam concedido a si próprios as mesmas garantias e começariam gradualmente a involuir para uma zona de livre circulação de capitais, bens, serviços e pessoas.

Republicando o post de há 4 meses no dia em que se realiza um referendo que, recorde-se, só por si, não decide nada porque não é vinculativo e é o parlamento inglês que tem poderes para decidir no sentido ou contra o resultado do referendo. E, para retirar um pouco do dramatismo, ainda que no referendo vença a saída da UE e o parlamento a confirme, as negociações que se seguirão podem deixar quase tudo na mesmo, alterando apenas a cosmética... para inglês ver.

Sem comentários: