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19/06/2016

Mitos (231) – A melhor explicação é quase sempre a mais simples (actualizado)

Desde as origens do homo sapiens que os humanos se matam uns aos outros. Há abundantes vestígios de que isso era corrente nos grupos humanos primitivos. Porque se mata como um acto individual, fora de um contexto de guerra? A maioria das vezes por ódio - do latim odium, rancor, ira profunda, sentimento de repulsão, horror, antipatia, segundo os dicionários. Ódio aos outros ou a si próprio. No passado a explicação era simples. Nunca como hoje foi sentida a necessidade de encontrar teorias conspiratórias elaboradas para explicar o assassínio.

Um muçulmano com tendências gay, segundo a própria mulher, frequentador de um bar gay, possivelmente atormentado por um conflito interior de auto-aversão, se estivesse em França poderia dar umas facadas ou estrangular um gay aos gritos de Allahu Akbar. Estava em Orlando, Florida, nos EU, uns dias antes tinha ido à loja da esquina, comprado uma carabina semi-automática AR-15 e uma pistola de 9 mm. Entrou no bar gay e aos gritos de Allahu Akbar atirou indiscriminadamente sobre os presentes e matou 49.

Do outro lado do Atlântico, um sujeito com passado de distúrbios mentais, simpatizante de causas xenófobas e aparentemente defensor da discriminação racial, grita «Britain First» (o nome de um partido de extrema-direita britânico) esfaqueia e dispara vários tiros sobre uma deputada trabalhista inglesa defensora da integração dos emigrantes e da permanência britânica na UE. Se fosse nos EU, o sujeito teria ido à loja da esquina, comprado uma carabina semi-automática e uma pistola, e esperaria que a deputada estivesse na reunião onde se propunha ir com os seus eleitores e teria disparado matando vários presentes.

Para quê e porquê tentar explicar crimes do foro psiquiátrico, digamos assim, como crimes de motivação religiosa ou política?

Actualização:
Em relação ao atentado em Orlando, novos testemunhos indicam que Omar Mateen seria homossexual praticante e as suas motivações seriam vingar-se de alguns dos seus parceiros. Lá se vão as teorias conspiratórias por água abaixo.

1 comentário:

Antonio Cristovao disse...

Tem razão ; os tudologos por motivos desconhecidos (para mim) têm necessidade de elaborar complexas explicações, para factos simples e facilmente compreensíveis.