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30/03/2011

CASE STUDY: Uma aplicação do efeito Lockheed TriStar ao TGV

O professor Avelino de Jesus explicou à Comissão de Obras Públicas que se demitiu do grupo de trabalho de reavaliação das parcerias público-privadas por falta de informação (até um CD vazio o governo lhe enviou) e condições de trabalho. Aproveitando a ocasião, afirmou que os estudos do TGV estavam «empolados» no que respeita às previsões de passageiros porque «os consultores dizem o que as pessoas que fazem a encomenda querem ouvir» - o que é verdade e é por isso que os consultores são caros porque não é barato fazer as pessoas felizes.

Vamos admitir que Avelino de Jesus tem razão e que os passageiros não chegam para pagar o TGV e que o projecto deveria por isso ser abandonado. E o efeito Lockheed TriStar? Terá sido considerado? Dito de outro modo, terá Jesus considerado que podemos sempre continuar a investir num projecto inviável para recuperar o investimento realizado?

Por exemplo, terá sido considerado que se os passageiros não pagam o TGV poderá sempre investir-se na produção de electricidade com o aproveitamento da deslocação do ar por micro-turbinas eólicas entaladas entre os carris? Terá sido considerada esta fonte energética? Segundo os inventores da coisa, um comboio ao passar por cada uma dessas micro-turbinas pode produzir 2,6KWh e podendo ser montadas 150 por cada km de carris isso perfaz 390KWh por km o que poderá valer a preços actuais uns 43€ por km e 30 mil euros por comboio numa viagem de Lisboa a Madrid. Falta só considerar o custo do investimento numas cem mil belas micro-turbinas e suportar o custo da sua manutenção que deverá incluir a reposição das roubadas pelos bandos de especialistas que actualmente trabalham nos condutores de cobre.

Pelo aspecto da coisa, é obra para umas centenas de euros cada turbina; adicionando a infra-estrutura para o transporte da electricidade chega-se facilmente a um investimento total na ordem das centenas de milhões de euros – nada que uma outra parceria pública-privada não resolva. Como diria o inefável Guterres, é só fazer as contas.

Em caso desesperado, falem com o senhor engenheiro Sócrates. Ele é homem para subverter o princípio da conservação da energia e conseguir mais output de electricidade do que o input.

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