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19/10/2016

Um governo à deriva (29) - O mundo é composto de mudança ou o socialismo, o crescimento, a austeridade e o bater o pé a Bruxelas é o que o Costa precisar (II)

Continuação por outras palavras deste post e de (I).

«Nós temos que ter consciência de que vivemos em casa, nas empresas, nas famílias, no governo, com restrições orçamentais que não são necessariamente coisas más, são coisas que temos que trazer para o nosso dia-a-dia e algumas dessas questões prendem-se precisamente com a compreensão de que existem essas restrições.»

Estas palavras não foram ditas em em 2011 ou 2012 por Vítor Gaspar, o ministro das Finanças do governo «neoliberal», como lhe chamaram os retardados mentais. Estas palavras foram ditas em entrevista ao negócios por Mário Centeno. o ministro das Finanças do governo que acabaria com a austeridade e iniciaria um ciclo virtuoso de crescimento.

«A revisão em baixa das metas de crescimento ajudaram o ministro das Finanças a apresentar um Orçamento que agrada aos partidos de esquerda que apoiam o governo e cumpre as exigências europeias. Menor andamento da economia em 2016 e 2017 agrava distância para o produto potencial e favorece ajustamento estrutural. À primeira vista, os números de Mário Centeno cumprem consolidação mínima.»

Estas palavras não foram ditas em 2015 por um assessor qualquer ao serviço de Maria Luís Albuquerque para justificar o crescimento medíocre de 0,9% em 2014. Estas palavras foram escritas por um jornalista de causas do semanário do regime ao serviço da geringonça para explicar que com ela «há males que vêm por bem. No Orçamento do Estado para 2017, o ditado cai que nem uma luva. O governo vai falhar a meta de crescimento do PIB este ano - contava com 1,8% e agora aponta para 1,2%». E começou por ser o dobro (2,4%) no documento «Uma década para Portugal» dos 12 pastorinhos.

Tudo isto evoca, se não já George Orwell e a sua newspeak, pelo menos um Alfred Kahn idiotizado. Idiotizado porque o Kahn real, censurado pelo presidente Carter por ter previsto em público em 1978 uma provável depressão da economia americana, teve o humor e a independência de espírito suficientes para na intervenção seguinte dizer que «we're in danger of having the worst banana in 45 years».

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