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11/10/2016

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Não é um pouco esquizofrénico? (8)

Como uma continuação daqui e dali.

A sério, a minha opinião sobre António Guterres: é uma criatura honrada - tanto quanto um político profissional pode ser -, inteligente, superlativamente bem-falante e prolixo – por isso lhe chamaram picareta falante – e pusilânime. Isso ficou abundantemente provado durante os seus 6 anos como primeiro-ministro onde abria todos os dias os telejornais a lançar balões-sonda e a recuar ou avançar consoante as reacções dos jornalistas – e não dos eleitores, como as almas distraídas imaginavam. A brincar, a minha opinião escrita há quase 13 anos aqui.

Será, como dizem os seus admiradores, o melhor político da sua geração? É discutível, mas não discuto. Será a melhor escolha para secretário-geral da organização com mais regimes não democráticos ou mesmo despóticos à face da terra? Duvido. Foi escolhido pelo Conselho de Segurança por ser o mais qualificado? Duvido. Acredito que foi escolhido por ser o mais bem-falante e talvez por parecer o mais dúctil, isto é o que todos os que contam (isto é os membros permanentes) acreditaram poder manobrar com menos dificuldades.

Agora que já disse o que pensava da criatura, espero que o leitor me conceda a justiça de considerar que não estou possuído pela doutrina Somaza, e, para exemplificar os delírios dos mídia e da comentadoria doméstica, cito alguns títulos de peças laudatórias publicadas pelo Expresso, o semanário do regime:
  • «Vitória histórica. Governo enganado por Merkel no apoio a Guterres» (chamada na 1.ª página)
  • «O mundo à sua procura» (Ricardo Costa)
  • «Bruxelas deu instruções para lóbi a favor de Georgieva» (uma teoria da conspiração assente na notícia que «chegou ao governo português através de países amigos», mas negada pelo governo português na pessoa do seu MNE)
  • «Costa: Não queremos fragilizar a Comissão» (um gesto piedoso do chefe Costa que poupa a Comissão à vergonha de não ter apoiado Guterres, segundo as teorias da conspiração prevalecentes) 
  • «Maior do que Portugal» (uma peça de Miguel Sousa Tavares, que acrescenta Guterres ao trio de quem não dizia mal: Pinto da Costa, Sócrates e Ricardo Salgado)
  • «A vitória do melhor de nós» (editorial)

1 comentário:

Luis disse...

Eis minha opinião sem tirar nem por aqui, e há 13 anos atrás, exposta de uma forma brilhante e com humor. Serve contudo de pouco ou nada nesta e noutras causas, pois a manada continua imperturbavelmente pastando!