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02/10/2016

Pro memoria (320) - Uma espécie de jornalismo normal (II)

Depois das reacções do jornalismo de causas e da comentadoria do regime ao livro de José António Saraiva «Eu e os políticos» (que não li e não sei se lerei), a que aqui fiz referência citando o jornalista Pedro Tadeu, tem-se verificando um fenómeno aparentemente surpreendente mas, em boa verdade, totalmente previsível.

Com as suas 2 ou 3 referências a comportamentos desviantes (tantas quantas os seus detractores apontaram) da nossa merdosa elite político-jornalística, autênticos segredos de polichinelo, na vastidão de 260 páginas escritas com um estilo que imagino soporífero, a exemplo da escrita habitual de JAS, o livro teria passado despercebido. Graças a essas reacções tornou-se um best seller com numerosas edições e dezenas de milhar de exemplares vendidos.

Não me ocorre melhor exemplo nos últimos tempos da lei empírica das consequência indesejadas. E porquê esta pletora de indignações hipócritas? Tenho para mim que por duas razões: primeira, JAS tornou-se uma bête noire do jornalismo de causas, apesar de ser jornalista ou talvez por isso mesmo, sobretudo depois de ter fundado o jornal SOL; segunda, JAS teve a triste ideia de convidar Passos Coelho e este aceitou apresentar o livro, imagino por ser JAS um dos poucos jornalistas que não o zurzia, e com isso soltaram-se os demónios do pior que o jornalismo caseiro é capaz de fazer.

1 comentário:

Antonio Cristovao disse...

E certo que o universo destes pastorinhos dos amanhãs que cantam e apsotolos da cuasa é muito reduzido, mas cada cidadão tem que se responsabilizar cada vez mais pelas conclusões que tira; e deixar de ser peigas e culpar os outros de má informaão