Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

29/07/2013

CASE STUDY: A estranha atracção de Sousa Tavares por José Sócrates

Escrevendo no Expresso, a propósito de uma sua experiência bem sucedida para tirar o passaporte, MST embala em loas à obra de José Sócrates evocando «as coisas inteligentes e certas que os seis anos de Sócrates fizeram pela melhoria concreta da vida concreta das pessoas». Não surpreende que os restos da tralha internética socrática residentes no blogue Câmara Corporativa tenham transcrito a totalidade do artigo.

Desde logo o «Simplex» que, sendo uma iniciativa positiva, é, como quase tudo o que saiu dos governos socráticos, essencialmente fachada. Como disse Medina Carreira numa entrevista ao DN, «o Simplex foi importante, mas o meu amigo faz uma sociedade em 50 minutos e depois espera seis meses para lhe darem uma autorização para pôr um toldo ou para abrir a porta. Não há uma visão global. Este Governo é um Governo de fogachos.» Só para dar um exemplo do que MC quis dizer, leia-se esta experiência kafkiana com a câmara de Lisboa (nem por acaso presidida pelo putativo futuro sucessor de JS), contada por um amigo do (Im)pertinências.

Deve acrescentar-se que o «Simplex» foi obra de empresas de consultoria, serviços de software e outsourcing, tais como Deloitte, Accenture, PwC, Capgemini, IBM, HP, Glintt, Novabase, Reditus et alia, todas com centenas ou muitas centenas de contratos valendo muitos milhões adjudicados directamente (ver Contratos Públicos Online) e não teve consequências na redução da máquina administrativa e na desmobilização dos exércitos de funcionários públicos, ou seja foi essencialmente uma mera adição de despesa pública.

O «ensino de inglês obrigatório a partir do 5º ano», dou de barato, mas não «os 'Magalhães' nas escolas» que foram uma mistificação (na verdade tratava-se do laptop ClassMate da Intel), que custou ao Estado múltiplos do que teria custado a utilização muito mais barata de uma das várias soluções já disponíveis. Ver aqui uma retrospectiva do logro, onde se pode confirmar que até JS, o pai do ‘Magalhães’, negou a paternidade quando a coisa começou a dar para o torto.

A «extensão do ensino obrigatório até ao 12º ano», também dou de barato, ficando por demonstrar os resultados líquidos de compelir alunos sem interesse nem vocação a ficarem até aos 18 anos na escola a obrigarem a rebaixar os padrões para os chumbos não serem ainda mais escandalosos – recorde-se, a propósito, que as taxas de abandono já eram o que eram antes disso.

Quanto à inclusão do Parque Escolar nas obras meritórias de JS, depois de tudo o que hoje se sabe sobre os pantagruélicos desperdícios e as golpadas das adjudicações directas, só pode resultar de um delírio de MST. Veja-se aqui um balanço do desastre.

Quanto ao Rendimento Social de Integração (aliás o Rendimento Mínimo Garantido de Guterres rebaptizado), e do complemento social de reforma, se os incluíssemos como realizações a louvar teríamos que louvar todos os governos anteriores por semearem dinheiro para ganharem eleições, dinheiro que hoje faz parte dos quase 130% da dívida pública.

Quanto à «co-geração de energia eléctrica», uma coisa que vem dos anos 80 e 90, a sua inclusão na obra socrática só pode ser uma consequência da ciência tudológica de MST.

Nem sei o que dizer sobre os contributos socráticos «nas novas tecnologias, nas energias alternativas, na investigação científica», a não ser que terá sido torrado dinheiro nelas sem resultados visíveis.

Mas então não há uma obra de relevo de JS? Há, não uma, mas várias:
  • Maior desemprego dos últimos 90 anos;
  • Maior dívida pública dos últimos 160 anos;
  • Mais baixo crescimento económico dos últimos 90 anos;
  • Maior dívida externa dos últimos 120 anos;
  • Mais baixa taxa de poupança dos últimos 50 anos;
  • Segunda maior taxa de emigração dos últimos 160 anos.

3 comentários:

Anónimo disse...

Outros monstros criados por Sócrates:

. o NRAU de 2006
. o novo Código Contributivo

Vivendi disse...

MST quando está com os copos dá-lhe para a poesia.

Anónimo disse...

MST só está a preparar o seu (dele, claro!) futuro. A ver vamos...