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07/12/2014

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Prenúncios de mais do mesmo – olhos que não vêem, coração que não sente (3)

«É indispensável, sem qualquer dúvida, garantir que os contributos dos Estados-membros para este plano europeu não sejam contabilizados para efeitos do apuramento do défice. Vários Estados-membros expostos a elevado endividamento, como é o caso de Portugal, ficam bastante limitados na sua capacidade de contributo e, portanto, também no acesso a estes investimentos, o que é inaceitável, uma vez que são as economias que mais necessitam de investimento», declarou António Costa uma conferência do Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu em Lisboa.


Costa refere-se ao milagroso plano Juncker e das duas uma: ou Costa chama «contributos dos Estados-membros» aos 21 mil milhões que já estavam no orçamento europeu ou em linhas do BEI e que serão investidos pela CE ou Costa chama «contributos dos Estados-membros» aos fundos privados com um montante 15 vezes superior que Juncker sonha atrair.

Ora, por natureza das coisas, as contribuições de fundos privados esperados por Juncker de cerca de 300 mil milhões não contam para o défice do OE. O que conta para o défice serão os 21 mil milhões e aqui a contribuição portuguesa que deverá rondar 1,3% do total não excederá uns 280 milhões de euros em 3 anos de 2015 a 2017. Se admitirmos que com o plano em velocidade de cruzeiro a contribuição portuguesa atinja um máximo de 150 milhões de euros em 2017, essa contribuição representará menos de 0,1% do PIB e bastante menos em 2015 e 2016. É com 0,1% que Costa pretende resolver o problema do défice para já não mencionar o problema da dívida que essa, acrescida dos 280 milhões, ficará até ligeiramente mais pletórica?

Com as suas políticas miraculosas, Costa poderá não resolver o problema do défice e muito menos o da dívida, e com a sua promessa de «repor» dois feriados arrisca-se a retirar de uma penada 0,9% à taxa de crescimento do PIB.

1 comentário:

Antonio Cristovao disse...

Lembra-me o pedido de clemencia do reu que tinha matado a mãe e pai - mesirecordia com um pobre órfão!!