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10/06/2012

DIÁRIO DE BORDO: A regra e a excepção

A minha apreciação pelo Expresso já viu melhores dias. Pode ser impressão minha, mas na medida em que economia se degradava com impacto sobre a situação financeira do grupo Imprensa mais o Expresso ficou debaixo da asa dos banqueiros do regime (com uma média de meia dúzia páginas de publicidade), perdeu distância em relação ao governo socrático e tornou-se uma espécie de Acção Socialista camuflado.

Apesar disso, continuo a ler habitualmente o Expresso porque é possível encontrar algumas peças dignas de atenção, perdidas no oceano do jornalismo de causas e do jornalismo promocional. Como exemplo, só neste sábado, o artigo de opinião de Rui Ramos e uma passagem num outro de Ricardo Costa onde reconhece evidências como «este governo tem uma folha de serviços incontestavelmente mais limpa do que o anterior em matéria de banco» e ainda «a utilização discricionária da Caixa e a tomada de assalto do BCP durante o consulado de Sócrates são difíceis de ultrapassar em descaramento».

Poderá dizer-se que Ricardo Costa está só a abrir caminho para o mano António que não pode, mas precisa, deitar para a sarjeta a herança socrática. Ou está a abrir caminho para tornar tragável a sua visão incontestavelmente estatista. Pois pode. Mas este segundo desiderato é o que andam a fazer 9 em cada 10 jornalistas do Expresso com muito menos inteligência.

É pouco, pois é. No entanto, talvez seja suficiente para uma parte dos leitores continuar a ler o Expresso. Se calhar é uma estratégica da esquerda inteligente

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