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01/06/2015

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio a resvalar para o princípio do fim (4)

Outros princípios: (1), (2), (3)

Este é o quarto post de uma série que se segue a uma outra série de 31 posts «O princípio do princípio», o último dos quais em Fevereiro do ano passado, salientando os sinais positivos da economia em resposta às medidas que o governo PSD-CDS foi forçado a tomar pelo Memorando de Entendimento. A insuficiência das reformas, o gradual esgotamento do fraco ímpeto reformista do governo, o fim do PAEF e a aproximação das eleições e do seu apelo à demagogia e irresponsabilidade começaram entretanto a comprometer os progressos penosamente conseguidos.

Agora, a 4 meses das eleições, confirmam-se os efeitos negativos da involução iniciada com o final do PAEF, por agora ainda parcialmente compensados com uma dinâmica resultante de nos 3 primeiros anos, como já aqui escrevi, o governo ter diminuído o intervencionismo na economia, deixado de fazer o papel dos empresários, de pretender saber o que era bom para a economia, de extorquir recursos para o celebrado investimento público e se ter limitado a extorquir cada vez mais impostos para pagar a máquina extorsionária.

Involução? E, no entanto, o crescimento de 0,6% no 2.º trimestre de 2014 subiu para 1,5% do 1.º trimestre deste ano. Pois subiu, mas a cavalo do consumo privado que cresceu 2,5% em relação ao período homólogo de 2014. E se a formação bruta de capital fixo aumentou 8,5% foi a cavalo da construção – mudam-se os tempos, permanecem as vontades.

Involução? E, no entanto, no que respeita ao comércio internacional, quando comparamos o 1.º trimestre deste ano com o 1.º trimestre de 2014 constatamos que o défice melhorou de -2.630 para -1.969 milhões e as importações diminuíram 1,4%. É verdade. Porém, quando eliminamos o efeito da redução dos preços das importações de petróleo (as importações de combustíveis diminuíram 30,1%) constatamos que as restantes importações aumentaram 4,7% e não por causa dos bens de investimento que apenas aumentaram 3,3%. Foi à custa do aumento das importações de automóveis (39,6%) e de bens de consumo duradouros (7,3%). Não fosse a redução do preço do petróleo e o défice ficaria praticamente na mesma. É só esperar pelo aumento já em curso dos preços do petróleo.

Se em cima disto encavalitarmos os estímulos ao consumo do PS (cujo efeito marginal será como sempre foi o aumento das importações), não é difícil antecipar em 2 ou 3 anos o regresso da troika. Ou menos tempo se, como é provável, a bancarrota anunciada de Grécia se consumar e os mercados escaldados aumentarem os yields da dívida pública para os níveis de há 3 anos, ou seja dos actuais 2,5% para OT a 10 anos (subiu 1% em relação aos mínimos de Março) para os 12% de há 3 anos.

1 comentário:

Unknown disse...

Gosto de post como este e agradeço porque se pensa em assuntos que os "jornalistas" de copy.past não chegam.
A inutilidade das loas que governo e oposição se mimam sobre o emprego ou outos "resultados" que numa sociedade aberta como a lusa não dependem ou dependem a longo prazo do que os demagogos façam devia ser retirado dos corpos principais das noticias e passado para a secção de astrologia ou realidade virtual e jogos. Assim é uma mentira pegada de faz de conta.