Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

19/06/2015

Pro memoria (241) – De como «um sinal de mudança que dá força» se transforma num que dá fraqueza

Não é espantoso que os 12 sábios da economia socialista que produziram o wishful thinking vertido no documento «Uma década para Portugal» tenham projectado um crescimento médio de 2,6% entre 2016 e 2019, que depende de circunstâncias incontroláveis e provavelmente só atingível com a ajuda da Nossa Senhora de Fátima? Só não é espantoso porque se trata das competências preditivas da Mouse Square School of Economics.

Aproveitando a deixa da cada vez mais provável Grexit, os sábios socialistas vieram agora lembrar que o documento também contém «um cenário de crise europeia profunda e prolongada» (cenário deliberadamente omitido nas apresentações públicas para não estragar os amanhãs que cantariam), nomeadamente por saída da Grécia da Zona Euro. Desse cenário resultaria:
«o emprego reduz-se cerca de 0.6% a partir de 2017 e, não obstante a redução da população ativa, implica a manutenção da taxa de desemprego em cerca de 13% até 2009. Neste cenário, o défice orçamental aumenta de 3.2% do PIB em 2015 para 4.6% em 2019 pressionado pelo aumento da despesa com juros e prestações sociais e pela descida da receita fiscal em linha com a redução da atividade económica e a evolução dos preços e salários. A dívida pública manteria uma trajetória ascendente atingindo os 135% do PIB em 2019 (121% do PIB no cenário central inicial)».
E, assim, já se está a passar na mente dos sábios do céu para o purgatório pela mão do Syriza, cuja vitória para António Costa já foi «um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha».

Sem comentários: