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25/06/2015

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: De como o melhor que pode acontecer ao paraíso prometido aos gregos pelo Syriza é ser um purgatório (XXVIII) – A farsa grega

Outros purgatórios a caminho dos infernos.

«Os historiadores do futuro vão realçar a culpa dos dois lados. Não se diz suficientemente o óbvio: o Syriza é profundamente incompetente. A figura de Varoufakis é embaraçosa. Vai há meses para reuniões europeias sem apresentar um único numero, ou uma única proposta com detalhes, porque é incapaz de fazer esse trabalho. Vive para a vacuidade do twitter. No final de 2014, a Grécia tinha um excedente primário nas contas públicas, a economia a crescer mais depressa do que Portugal, e a semelhança dos seus problemas com os de outros países europeus dava-lhe peso na zona euro. A Grécia estava a sair da crise, e um governo competente talvez fosse capaz de renegociar a dívida. Mas, em menos de seis meses de um governo Syriza de políticas desastrosas e discursos desavisados, a Grécia está sozinha a viver um cataclismo.

Do lado da Europa, houve pelo menos três erros capitais, todos fruto da hesitação e da falta de liderança. O primeiro deles foi impor um plano de austeridade exagerado à Grécia em 2010, com demasiados cortes, demasiado depressa (um erro que não foi repetido na Irlanda e em Portugal). Era esta a receita base do FMI, que não se podia aplicar sem ajustamentos à crise europeia. O segundo erro foi adiar a restruturação da divida grega até 2013. O terceiro erro foi não ter dado melhores condições ao governo Samarra, abrindo o caminho para o poder ao Syriza. Em 2015, a Europa já ofereceu mais do que tinha dado a Samarra em 2014, mas agora tem o Syriza do outro lado da mesa. Nestas três ocasiões, a Europa preferiu adiar o problema em vez de o resolver de forma decisiva

Excerto de «Acto final da farsa grega», Ricardo Reis no Dinheiro Vivo

E assim se chegou aos 320 mil milhões de dívida pública grega mais 110 mil milhões de exposição do BCE à banca grega, depois de os credores privados terem sido obrigados há 4 anos a um haircut de 50%. E, aos corações partidos que no nosso torrãozinho natal choram pelos danos que a aliança extrema esquerda-extrema direita infligiu aos gregos nestes últimos 5 meses, é oportuno recordar que a bancarrota da Grécia nos põe em risco em 4,6 mil milhões de euros (ver o detalhe aqui).

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