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20/12/2013

NÓS VISTOS POR ELES: O relógio do «escurinho» não está acertado pelo relógio do «salta-pocinhas»

Nós, os portugueses, temos uma notória obsessão com o que pensam a nosso respeito os estrangeiros. Imaginamos que pensam imensas coisas quando a realidade mostra pensarem muito pouco, com excepção daqueles que têm a desdita de ter de nos aturar.

No exercício dessa obsessão escrutinamos com um filtro o que dizem e escrevem os estrangeiros procurando confortar a nossa insegurança e fortalecer o nosso frágil ego. Por isso, duvido que se dê a atenção devida ao que nos disse Subir Lall, chefe da missão do FMI. Por várias razões, além da óbvia que é não nos dar graxa: é «escurinho», como disse aquela alma subtil que comanda a legião comunista, a propósito do antecessor de Lall; é «técnico» - uma espécie de insulto reservado a quem não partilha o pensamento mágico da esquerda; e representa a tutela dos credores que nos obriga a conviver com a realidade, exercício penoso e desgastante.

Entre as várias coisas que o «escurinho» nos disse através do Financial Times, avisou em estrangeiro que «The transformations that the economy needs will have to go on for another 10 to 15 years and they will have to be home grown, (…) Changing how the economy responds and overcoming inertia requires an ongoing effort and will have to be done regardless of which political party is in power

Se Subir Lall viu o relógio de Paulo Portas, deve ter suspeitado que o seu proprietário e os portugueses que por ele se orientam ainda não acertaram as horas, decorridos mais de 2 anos de tutela.

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