Escrevi o que antecede duas semanas depois da tomada de posse. Decorridos sete meses, a sua primeira «exortação apostólica» Evangelii Gaudium foi acolhida com surpreendente gáudio pelo tele-evangelista Louçã e pelo papa do socialismo lusitano Soares, agora convertido à teologia da libertação na sua versão de violência libertadora. No mínimo, trata-se um enorme equívoco, filho ilegítimo do excesso de causas e da falta de soluções da esquerda. Mas suspeito que possam ser dois: o do Papa Francisco e o dos convertidos. A não ser que coloquemos a religião no papel que von Clausewitz atribuiu à guerra.Por coincidência, pouco depois de registar o gáudio do novo Pacheco, li o post What if? de Joaquim Couto no Portugal Contemporâneo, que transcrevo por me poupar a escrever, por outras palavras, pouco mais ou menos ou mesmo.
«O populismo é, em grande parte, responsável pela miséria que grassa na América do Sul. A Argentina, por exemplo, que já foi um dos países mais desenvolvidos do mundo, anda hoje de mão estendida. A Venezuela vai a caminho do colapso total e de Cuba, nem é bom falar. Pelo contrário, o Chile abraçou um caminho diferente e obteve um resultado exatamente oposto.
Se tivéssemos um governo global, nas mãos de uma Kirchner, de um Maduro ou de um Castro, o que seria de esperar? Miséria, miséria e mais miséria. Não tenho qualquer dúvida sobre isso, nem vou dar troco a quem afirmar o contrário.
Felizmente não há governos globais, mas há pessoas que, pelos cargos que ocupam, são líderes globais e podem exercer uma influência global. É o que há de mais parecido a um governo global, são magistraturas de influência global.
Continuando nos “ses”... E se um destes líderes globais fosse um populista, saído da fornalha argentina, retórico exímio, disposto a usar o prestígio do seu cargo para incendiar a rua e desencadear ondas de violência? E se fosse alguém que afirmasse que “a economia capitalista mata” e que trata os seres humanos como “lixo”?
Não faltariam débeis mentais a pensar que tinham luz verde para a violência, porque se trataria de legítima defesa contra uma ameaça de morte.
Infelizmente, na minha opinião, o Papa Francisco está a colocar-se, ou a deixar-se colocar, nesta incómoda posição de difundir ideias que foram fatais em todos os países que as adoptaram. Daí, estar a ser tão elogiado por pessoas como Mário Soares e Francisco Louça, pessoas que de religião devem perceber tanto um peru de Natal, depois de receber a sua dose misericordiosa de água-ardente.
Se Francisco tiver sucesso na sua cruzada ideológica contra o que designa por “capitalismo selvagem”, “monetarização social” e a “lixificação dos seres humanos”, há uma coisa que posso garantir – no final do seu papado, os ricos estarão mais ricos e os pobres estarão mais pobres. Porque o capitalismo é o único sistema capaz de tirar milhões de seres humanos da pobreza (pensem na China).
Em particular, os países protestantes, que se estão completamente nas tintas para o Francisco, estarão mais ricos. E os católicos estarão mais pobres. Deus queira que me engane!»