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27/12/2013

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: O speechwriter de Passos Coelho meteu água em «termos líquidos»

Secção Tiros nos pés

Na mensagem de Natal, o primeiro-ministro na ânsia de dar boas notícias disse em determinado ponto
«o emprego começou a crescer e, em termos líquidos, até ao terceiro trimestre foram criados 120 mil novos postos de trabalho».
Deveria ser evidente para o speechwriter e para o primeiro-ministro que o líquido de entre empregos criados e destruídos este ano nunca poderia ter sido 120 mil, pela prosaica razão que a população activa aumentou apenas de 22 mil entre o último trimestre de 2012 e o 3.º trimestre de 2013 (ver INE, Estatísticas do Emprego - 3.º Trimestre de 2013). Para compor o discurso, em vez de começar o ano em 1 de Janeiro o speechwriter começou o ano em 1 de Abril, dia das mentiras, porque desde então até 30 de Setembro o aumento líquido do emprego foi de facto 120 mil.

Como seria de esperar, o jornalismo de causas que deixou passar em silêncio durante 2 anos a esperteza de José Sócrates, ao confundir deliberadamente a recuperação de 150 mil postos de trabalho perdidos (prometida no programa do XVII governo) com a criação de novos postos (ver aqui a retrospectiva), não deixou passar em branco a calinada/habilidade (cortar consoante o gosto).

Três chateaubriands para o speechwriter pela calinada/habilidade, quatro para o primeiro-ministro por o ter escolhido e três bourbons para o jornalismo de causas por continuar igual a si próprio.

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