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06/11/2011

SERVIÇO PÚBLICO: BCE, um exército derrotado na guerra do euro

«Imaginemos um exército que parte para a guerra. Tem um poder de fogo tremendo. Os seus generais, no entanto, anunciam que na verdade odeiam aquilo tudo e que limitarão ao máximo os tiros disparados. Alguns deles estão tão incomodados com a perspectiva de entrarem em guerra que até se demitem do exército. Os restantes generais dizem então ao inimigo que o tiroteio será apenas temporário e que as tropas voltarão para casa logo que possível. Qual será o resultado provável desta guerra? Adivinhou. O exército acabará por ser derrotado pelo inimigo.

O Banco Central Europeu tem-se comportado como estes generais. Quando anunciou o seu programa de aquisição de títulos de dívida soberana fez saber aos mercados financeiros (o inimigo) que não gostava nada de o fazer e que deixaria de comprar dívida dos países mal pudesse.



Não há forma mais pateta de implementar um programa de compra de dívida do que a do BCE. Ao tornar claro desde o início que não confiava no seu próprio programa, o BCE garantiu o seu falhanço. Ao mostrar que desconfiava dos títulos que estava a comprar, disse aos investidores que também deviam desconfiar deles

[Quem salva o euro?, artigo de opinião de Paul De Grauwe no Expresso]

De Grauwe é um especialista em sistemas monetários e integração monetária; publicou em Abril «The governance of a fragile zone», um trabalho a propósito do qual o hiper-keynesiano Paul Krugman escreveu «a paper I wish I had written (there is no higher praise)» - whatever that means, I would say.

Alguns podem não concordar com o programa defendido por De Grauwe para o BCE. Ninguém pode concordar com o programa do BCE - é um programa meio-certo ou meio-errado.

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