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29/10/2013

SERVIÇO PÚBLICO: O princípio do princípio (23)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13), (14), (15), (16), (17), (18), (19), (20), (21) e (22)

Ponto de situação dos dois Portugais.

Portugal Que Trabalha (PQT)

O indicador de actividade económica do INE aumentou em Agosto pela primeira vez em dois anos. O mesmo aconteceu ao indicador quantitativo do consumo privado que teve o primeiro crescimento homólogo desde Fevereiro de 2011.

Embora mais devagar, o investimento continua a descer e isto sim é uma má notícia que, contudo, preocupa pouco os do choradinho dos sacrifícios. O indicador coincidente de actividade económica do BdeP aumentou 0,1% em Setembro, em termos homólogos, pela primeira vez desde Fevereiro de 2011.

As exportações aumentaram 3,5% até Julho e, diferentemente da versão do jornalismo de causas económicas, o aumento não se deve aos combustíveis e ao material de transporte, mas ao resto que cresceu 58% (contas do blogue Balanced Scorecard). No 2.º trimestre melhorou o saldo da balança de serviços em 2,3 mil milhões de euros graças sobretudo ao turismo (Eurostat).

Os dados mais recentes do Boletim Estatístico do BdeP confirmam o bom comportamento das contas externas com saldos positivos de 2,3 mil milhões na balança de bens e serviços e 3,7 mil milhões nas balanças corrente e de capital. Isto é um facto notável que mostra estarmos a reduzir o endividamento externo pela primeira vez em muitas décadas.

Depois de descer 9 trimestres consecutivos, a taxa de emprego subiu para 60,5% no 2.º trimestre (OCDE) o que é uma notícia ainda melhor quando se sabe que a construção de casinhas desabitadas e de autoestradas vazias caiu 12,8% face a Agosto do ano passado e a produção industrial cresceu 8,2% em Agosto 0,4% em termos homólogos. (Eurostat).

Talvez não seja uma boa notícia o aumento de 6,7% das vendas de veículos ligeiros até Setembro (ACAP). Quanto muito põe em dúvida o choradinho do povo sofredor.

No conjunto, são sinais positivos que mostram que o país consegue mover-se apesar de arrastar atrás de si o Moloch estatal que consome metade da produção.

Portugal Que Se Queixa (PQSQ)

Para não deprimir os leitores do (Im)pertinências, vou esquecer o folhetim do guião/argumentário do Dr. Portas e o Tribunal Constitucional cujas decisões um estudo de dois investigadores portugueses e uma italiana mostra serem politizadas e partidarizadas (JN via Blasfémias).

Em relação ao apogeu da torrefacção socrática em 2009, que teve um défice que tinha começado por ser de 2% e acabou em 10%, acrescentando 18 mil milhões de euros à dívida, o défice de 2012 foi de 11,5 mil milhões isto é menos 6,5 mil milhões, muito à custa do aumento dos impostos.

Por falar em dívida, aos comentadores tudólogos e jornalistas de causas em geral que se impressionam com o seu montante, é bom lembrar a engorda teve lugar sob os auspícios dos governos de Sócrates que a deixaram, depois da correcção da troika aos valores do PEC 4, em 100% de um PIB maior do que o actual. E é bom não esquecer que Teixeira dos Santos deixou a tesouraria seca e no final do 1.º trimestre deste ano (últimos dados publicados pela DGO da Conta provisória de 2013) havia um saldo de 17 mil milhões ou seja mais de 10% do PIB - ou seja para compararmos as duas dívidas teríamos de somar 10% aos 100% de Sócrates.

Quanto ao OE 2014, vou apenas lembrar que está atrasado pelo menos 2 anos - ou 3 anos se 2011 tivesse tido um orçamento rectificativo com as reformas mais difíceis à cabeça – e reproduzir um excelente diagrama de A Montanha de Sísifo que evidencia um facto dramático: a austeridade em 2014 deixa a despesa pública ao nível de 2008 mas, por muito «colossal» que pareça, é insuficiente para anular o efeito dos desastres socráticos. Ora veja-se:



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