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21/10/2013

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (8) – A democracia do camarada Arménio

Admito que a manifestação de sábado do camarada Arménio tenha tido mais manifestantes do que terá a do movimento «Obrigado Troika!» (*)  que daqui a pouco começará nos Restauradores e terminará no Centro Jean Monet. Por várias razões, e uma delas o facto de o número de gente lúcida e realista que percebe que o caminho mais curto para acabar com as liberdades e afundar o país seria entregá-lo aos camaradas do camarada Arménio e, mal por mal, é preferível manter os governantes do momento tutelados pela troika do que deixá-los à solta, como se viu nas últimas décadas, esse número é muito menor do que o número dos portugueses disposto a embarcar na ilusão de uma qualquer solução milagrosa que resolva sem esforço a montanha de encrencas que temos vindo a coleccionar.

Acabar com as liberdades? Não será um exagero? Talvez não, quando se ouve o camarada Arménio dizer ao Expresso «esta manifestação será o momento alto da democracia», a respeito de uma manifestação, da qual ele pretende extrair legitimidade para suportar as políticas dos comunistas, que em Lisboa terá tido uns milhares, talvez com boa vontade uns 20 ou 30 mil arregimentados em 400 camionetas, como no tempo da outra senhora, depois de umas eleições onde votaram 5,6 milhões eleitores. E quando se sabe que nenhum camarada que ainda por lá se encontre renegou o socialismo soviético, todos cultivam o socialismo cubano e têm dúvidas se a Coreia do Norte não será uma democracia. Isso são os comunistas cromos, dir-me-ão. Talvez não, leia-se aqui no 4R o testemunho da jovem nova deputada do PCP no parlamento na Assembleia da República.

20 ou 30 mil manifestantes em Lisboa? Talvez se as camionetas viessem cheias, porque os jornais falam quase todos em milhares e quando se vêem as fotos percebe-se a preocupação do jornalismo de causas evitar cuidadosamente as vistas de conjunto e as costumeiras comparações megalómanas do camarada Arménio desta vez estiveram ausentes, sinais inequívocos do fiasco e das modestas capacidades mobilizadoras dos comunistas, mesmo quando as gentes estão pelos cabelos e picadas todos os dias pelos mídia.

(*) Actualização:
Afinal a manif «Obrigado troika» era uma paródia para promover uma manif de indignados no próximo sábado. Isto demonstra que o número de pessoas lúcidas e realistas é muito inferior ao de parodiantes e o número destes ao de indignados.

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