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14/10/2013

Pro memoria (137) – a nacionalização do BPN não custou nada e o nada vai já em 4,5 6,5 7 mil milhões (V)

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Enquanto o circo SLN-BPN continua com o palhaço Machete muito convenientemente apupado, o jornalismo de causas, ao mesmo tempo que arrasta pela lama qualquer um que tenha comprado ou vendido acções ou sentado nas suas cadeiras, deixa na sombra também muito convenientemente todos os que foram responsáveis pela inépcia criminosa da supervisão comandada à época pelo ministro anexo Constâncio (que, recorde-se, foi deputado, secretário de estado, ministro várias vezes, secretário-geral do PS e, inimaginável num país civilizado, governador do banco central) e pelo desastre da nacionalização da iniciativa do governo Sócrates (nacionalização, já agora, aplaudida pelo BE) que transferiu para os contribuintes um montante que começou por ser nada e já vai em 7 mil milhões.

Entre os responsáveis pelo desastre da nacionalização encontra-se Francisco Bandeira, um homem de mão de Sócrates, presidente da administração do BPN nomeada pelo governo, que entre outras decisões ruinosas aprovou o financiamento do reembolso de duas emissões de papel comercial da SLN Valor, incumprimento que hoje soma 159 milhões de euros. O financiamento teve como garantia penhores de acções do capital de sociedades do grupo SLN que não valiam o papel em que estavam representadas.

Muito convenientemente outra vez, todas as carpideiras que uivam de indignação pelas espertezas e aproveitamentos dos Machetes deste país, guardam de Conrado o prudente silêncio sobre as incompetências e iniquidades que custam aos portugueses quase 10% dos empréstimos da troika.

3 comentários:

IO disse...

O "pai da democracia" quer que haja julgamento e tal... não sei se são esses!

Anónimo disse...

O Bloco de Esquerda declarou-se hoje a favor da nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN) “desde que sejam os accionistas a pagar o prejuízo” e que o Governo exija contrapartidas destes apoios.

“Se o Governo nacionaliza o banco e se isso é necessário, o que nós queremos é garantir que nem um tostão dos impostos serve para pagar os prejuízos. Quem causou os prejuízos é que tem de vir pagá-los, que são os accionistas e os administradores”, declarou Francisco Louçã, numa primeira reacção à decisão anunciada esta tarde pelo ministro das Finanças.

Para o líder do BE, “a nacionalização [do BPN] é necessária para acabar com a aldrabice em que se transformou a gestão deste banco”, mas diz esperar que “nem um cêntimo dos impostos” seja usado para cobrir a dívida.

“As pessoas não pagam IRS para que seja usado para pagar os desvarios ou os crimes cometidos em ‘off-shores’ por alguns banqueiros irresponsáveis e criminosos”, acrescentou.

Pertinente disse...

O ponto central da referência ao BE é o seu acordo a uma nacionalização que considero por princípio inaceitável, salvo em situações excepcionais que não se verificavam. Nacionalização que nas circunstâncias concretas considerei não justificada e nociva para o país, como se veio a confirmar. Tudo isto independentemente das condições que o BE tenha colocado, que eram pura retórica porque depois do Estado ter assumido a responsabilidade é claro que os accionistas não iriam pagar coisíssima nenhuma.