Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

05/10/2012

Pro memoria (67) – Conversas da treta

«Carvalho da Silva defende denúncia do Memorando da troika» mas não explica onde iria encontrar mais dinheiro para pagar as facturas do Estado Social enquanto não renegoceia a dívida com os credores, se estes estiverem na disposição.

Paulo Portas diz que é preciso «encontrar medidas de redução de despesa que permitam aliviar a carga fiscal», mas não explica se já encontrou alguma medida durante as suas múltiplas viagens pelo mundo.

Vítor Gaspar diz que «o povo português revelou-se o melhor do mundo» mas não explica porque a maioria do melhor povo do mundo fica silenciosa e deixa que minorias ruidosas de uns poucos por cento falem em seu nome.

A CIP diz que ficou «satisfeita com recuo do Governo em relação à TSU» mas não explica porque o ano passado queria uma «redução de 10% na TSU e mais horas de trabalho».

António Costa diz «O futuro não está no regresso à economia de baixo salário», mas não explica onde está o futuro e nomeadamente qual o futuro de uma economia com produtividade baixa e salários que não são baixos e uma mão-de-obra extraída de uma população em que 10,6% não têm nenhuma escolaridade e 60% têm a escolaridade do ensino básico.

Há 4 anos o governo de José Sócrates inventou a taxa Robin dos Bosques sobre a valorização dos stocks de produtos petrolíferos, mas nenhum dos membros desse governo explicou porque esse imposto justiceiro se limitou a uma única arrecadação ridícula no ano do seu lançamento.

Há três meses o bastonário dos médicos lamentava-se que «no extremo, os médicos podem ser contratados a dois, ou três euros à hora», mas não explica o milagre de três meses ter negociado um salário para médicos em início de carreira de 2.746 euros para 40 horas por semana, ou seja, 6 a 8 vezes o salário hora da sua lamentação.

Em conclusão: «Os cidadãos deste país não devem ter memória curta e deixar branquear as responsabilidades destas elites merdosas que nos têm desgovernado e pretendem ressuscitar purificadas das suas asneiras, incompetências e cobardias

3 comentários:

Anónimo disse...

Muito bem.

Anónimo disse...

O problema não é memória curta; o problema é que exigir responsabilidades a estes senhores e escrever na água é o mesmo.
Mas aproveito para lhe dar os parabens pela sua "saga"... água mole em pedra dura...
Neves

Anónimo disse...

Como é hábito, acho o post correcto e doloroso para os criminosos. Quando ao bastonário, é um vaidoso e fraco –– uma desgraça nunca vem só.
Abraços,
eao