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22/10/2012

CASE STUDY: A supervisão bancária europeia (2)

[Continuação de (1)]

O cepticismo a propósito da supervisão bancária europeia está a confirmar-se ser perfeitamente fundado. Na cimeira da passada 6.ª feira a decisão principal foi adiar a decisão até ao final do ano do formato do mecanismo único de supervisão e de, sem pressas, durante 2013, ir tratando dos seus aspectos operacionais. Só então, lá para 2014, se iniciará a recapitalização directa dos bancos, isto é sem ser por via da emissão de dívida pública com que os Estados têm financiado os respectivos bancos, como até agora.

Entretanto, tudo indica que a recapitalização directa pelo mecanismo único de supervisão não será utilizável para cobrir situações passadas dos bancos. Bem pode chorar baba e ranho a Espanha, principalmente, mas também os outros países como Portugal, cujas bancas precisam de se recapitalizar, mas a verdade é que se o mecanismo abrangesse as situações passadas teria que arrancar com fundos de várias centenas de milhar de milhões financiados em grande parte imaginem por quem.

Um dos aspectos operacionais a decidir é o âmbito desse mecanismo único e o calendário da extensão desse âmbito à totalidade dos cerca de 6 mil bancos europeus. É relativamente claro que os países cujos bancos estão em dificuldades pretendem que o âmbito seja total para poderem beneficiar da recapitalização directa. É menos claro o que pretende a França, que não parece ceder de bom grado a supervisão dos seus estimados bancos, e a Alemanha, que parece não estar entusiasmada com fazê-lo para a miríade dos seus pequenos bancos de âmbito estadual.

Esta é uma questão muito importante para a França (embora disfarçada da retórica da solidariedade) e a Alemanha (com outra retórica), sobre quem recairá o grosso do financiamento da recapitalização, e como tal é uma questão para ser tratada passo a passo. O BCE reconhece a necessidade desse gradualismo pela boca de Draghi. Para os países entalados a questão é sobretudo muito urgente. E sabe-se dos perigos de tratar coisas importantes como se fossem urgentes - para além, claro, dos incêndios e das catástrofes naturais...

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