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05/04/2017

Mitos (249) - O contrário do dogma do aquecimento global (XIV)

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Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os negacionistas – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Se dúvidas houvesse sobre a natureza ideológica do debate sobre as mudanças climáticas, os habituais títulos bombásticos e catastrofistas eliminariam as dúvidas. Leia-se, por exemplo, o do diário da manhã DN:
«Alguns dos glaciares da costa da Gronelândia estarão pedidos para sempre»
Perdidos para sempre? Verdade seja que do paper «A tipping point in refreezing accelerates mass loss of Greenland’s glaciers and ice caps» citado pelo DN e outros jornais não se pode concluir que «alguns dos glaciares da costa da Gronelândia estarão pedidos para sempre» mas apenas que está a acelerar-se a perda de massa dos glaciares e das calotas polares.

Não é preciso ser-se um cientista para se saber que o clima na terra já mudou profundamente por diversas vezes e essas mudanças não poderiam por razões óbvias ser atribuídas a acções humanas. Se os jornalistas das causas climáticas escrevessem nos jornais há uns 110 mil anos talvez pudessem ter escrito um dislate semelhante, uns tempos antes do início do último período glaciar que perdurou até há cerca de 10 mil anos. No máximo do período glaciar a cobertura de gelo teria o aspecto da recriação aqui ao lado, onde é possível perceber que a Gronelândia está totalmente encapsulada pela cobertura do gelo polar.

Ou, mais recentemente, imagine-se um jornalista holandês (eventualmente um antepassado de Jeroen Dijsselbloem) a escrever no «Nieuwe Tijdinghen», surgido no princípio do século XVII em Antuérpia e considerado um dos primeiros jornais publicado regularmente no Ocidente. E imagine-se que esse imaginário jornalista, depois de um verão tórrido nos Países Baixos, tivesse escrito qualquer coisa sobre glaciares pedidos para sempre, isto em meados do século XVII uns anos antes da Pequena Idade Glaciar, durante a qual foi possível patinar no Tamisa.

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