Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

13/04/2017

CASE STUDY: A pátria do capitalismo é o inferno dos capitalistas (15)

Outros anjos caídos: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13) e (14).

Em Setembro do ano passado foi posta a nu uma fraude gigantesca que envolveu milhares de agências do banco americano Wells Fargo. Gerentes dessas agências foram tacitamente encorajados a atingir os seus objectivos de vendas convencendo os clientes a abrirem um total de 2 milhões de contas desnecessárias e não solicitadas e a transferir fundos de e para essas contas, bem como para outras contas simuladas em nome de familiares dos gerentes.

A fraude envolveu 5.300 gerentes e empregados das agências que foram despedidos e os clientes foram indemnizados pelos prejuízos relativamente diminutos (USD 3,2 milhões).

Esta semana, a administração do Wells Fargo identificou os dois ex-administradores directamente responsáveis pela montagem da fraude, John G. Stumpf  e Carrie L. Tolstedt, que impuseram objectivos de vendas inalcançáveis aos gerentes, e decidiu exigir-lhes o reembolso (clawback) de salários, prémios e stock options nos montantes de USD 69 e 67 milhões, respectivamente - se não pagarem voluntariamente, a Wells Fargo deduzirá esses montantes aos seus fundos de pensões.

Imaginemos o que teria acontecido neste nosso cantinho de brandos costumes. Internamente o caso seria abafado e, se chegasse à justiça, seria mais um para a equipa do juiz Carlos Alexandre se entreter até à aposentação.

Sem comentários: