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19/04/2017

COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (10) - Botas de todos os tamanhos, calçadas por vários pés

Outras botas para descalçar.

Recordando: nesta secção do (Im)pertinências recolhem-se para memória futura os juízos laudatórios do desempenho do zingarelho inventado por António Costa, juízos produzidos pelos comentadores (incluindo o residente em Belém), opinion dealers e jornalistas de causas que têm levado ao colo a geringonça e, acrescento agora, também os anúncios de amanhãs que cantam da autoria do governo.

Começando pelos anúncios do governo, no Programa de Estabilidade, que será discutido hoje no parlamento e posteriormente enviado para Bruxelas, o governo prevê que a dívida pública não ultrapassará o limite do tratado (60% do PIB) em 2032, 14 anos antes do que previa no OE 2017. Veja-se o carrossel imaginado pelo governo.


O mais inverosímil não é a previsão do que se passará em 2032 porque nessa altura o pessoal socialista que produziu estes delírios nem sequer estará no activo e, de resto, estes delírios não são muito diferentes dos que os seus antecessores vêm produzindo há muitos anos, O mais inverosímil é a previsão do que se passará dentro de 2 ou 3 anos quando sabemos o que se está a passar agora e a engorda da vaca marsupial pública a que o governo se tem dedicado. 


Passando ao capítulo dos comentadores/opinion dealers, atente-se o prognóstico de Marques Mendes na sua última homilia aqui resumida e imagine-se o esforço hercúleo, até para ele próprio, que terá de despender para descalçar a botifarra em que enfiou os pezinhos.

Passando ao capítulo do jornalismo de causas, leia-se qualquer número da edição diária do semanário de reverência Expresso, ainda mais do que a edição em papel, onde se sucedem páginas laudatórias da obra actual e sobretudo futura de Costa. Só para dar um exemplo, veja-se esta página de que reproduzo o título e alguns subtítulos: «FMI aumenta crescimento português em mais de 60% em seis meses»; «Alemanha e Itália abaixo de Portugal» e, à cautela, para o caso da coisa correr mal, «Trump e populismos podem estragar previsões» (estão encontrados os culpados em substituição das agências de rating, do neoliberalismo, de Angela Merkel, etc. que tão bem serviram para explicar a falência das políticas socialistas há 6 anos).

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