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29/04/2017

A maldição da tabuada (44) – A saúde está pela hora da morte, segundo a agência do regime e o semanário de reverência

«A saúde em Portugal representa quase dois terços da despesa total do Estado, mas está entre as mais baixas da União Europeia, segundo um relatório divulgado esta quinta-feira que faz o retrato do sistema de saúde português.

Segundo o relatório, a despesa pública com a saúde em Portugal totaliza 64,7% do total dos encargos do Estado, enquanto a média da UE é de 76%.»

Excerto do artigo do Expresso «Despesa pública em saúde em Portugal entre as mais baixas da União Europeia»

Dois terços da despesa total do Estado? 

Ora vejamos as despesas do Estado em milhões de euros em 2015 (Pordata)
  • (A) Saúde 8.518,4
  • (B) Total  48.493,5
  • (A) / (B) = 17,6%
É claro que multiplicar por quatro a despesa com saúde é um disparate de um tamanho não poderia vir de um relatório do Observatório Europeu de Saúde. Por descargo de consciência fui vasculhar no «Portugal, Health system review» e a páginas 48 descobri a origem da confusão: onde se escrevia «General government health expenditure as % of total health expenditure» a Lusa leu e escreveu, e o semanário de reverência reproduziu, despesa pública com a saúde em Portugal em % do total dos encargos do Estado.

Acontece, é um erro. Não, não é «um erro», é não ter a mínima noção da grandeza e da proporção das variáveis da despesa pública. É assim como confundir a distância do Terreiro do Paço a Cacilhas com a distância de Peniche às Berlengas. É a maldição da tabuada.

1 comentário:

Luis disse...

Quando li o itálico do início senti logo que algo no texto estava errado! Eu e possívelmente qualquer leitor do blog moderadamente consciente das coisas.
Infelizmente, é de facto não ter a mínima noção das grandezas do que nos rodeia. E mesmo assim pretendem dar-nos a conhecer notícias e ajudar a formar a nossa opinião! Esta é, entre algumas outras, a causa porque há muito que deixei de dar para este peditório na esperança que das suas cinzas renasça algo melhor. O pior é que teimam em manter-se precariamente de pé!