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06/05/2016

NÓS VISTOS POR ELES: Em Portugal os mais fracos são os maiores

Um artigo recente da Economist sobre a banca portuguesa tem o título «Spanish steps» - nome por que os ingleses conhecem a Scalinata di Trinità dei Monti, as escadarias que ligam a Piazza di Spagna à Piazza Trinità dei Monti. Como se, a propósito da banca portuguesa, evocar umas escadarias «espanholas» em Roma não fosse suficientemente humilhante, a peça é ilustrada com uma foto de Isabel dos Santos e o primeiro parágrafo reza assim:
«Pelos padrões pouco exigentes de Portugal, o banco BPI encontra-se num estado decente. Dois bancos portugueses, BES e Banif, colapsaram nos últimos dois anos. (…) a média nacional do rácio de crédito malparado são uns desoladores 12%.» 
E termina assim:
«Preocupado com o impacto dos bancos em dificuldades na economia, o Sr. Costa quer criar outro banco mau, como recentemente se fez em Itália, para parquear o crédito malparado. Isso libertaria os bancos para financiar empresas viáveis, diz ele, e pouparia o contribuinte, uma vez que seria financiado pelo sector privado, com a ajuda de algumas garantias estatais. Não se sabe de onde viria o dinheiro privado. Como aponta Elena Iparraguirre da agência de rating Standard & Poors, na Itália, um país maior, os bancos mais fortes estão a apoiar os bancos mais pequenos e mais fracos. Em Portugal "os mais fracos são os maiores".»
Note-se como o que é obscuro para os governantes, ex-governantes (não foi o Querido Líder Socialista que disse em Paris que tinha aprendido que a dívida não era para se pagar?), as geringonças, as luminárias e a comentadoria doméstica é há muito claríssimo para qualquer observador na estranja: o estado catapléctico dos bancos resulta do estado catapléctico das empresas e vice-versa, num círculo vicioso onde nos enredámos sob o peso pantagruélico da dívida pública de 233 mil milhões (o equivalente a mais de 6 anos de impostos) e da dívida privada (famílias e empresas cerca de 82% e 110% do PIB, respectivamente).

Para ser exacto, não é só na estranja, também por cá umas almas penadas viram para onde nos levaria o caminho para o socialismo. Uma parte dessas almas costuma escrever em blogues que moram aqui ao lado e, passe a falta de modéstia, também aqui em casa (veja-se por exemplo esta retrospectiva relativamente à dívida privada).

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