Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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28/05/2016

Dúvidas (158) – Eles são obsessivos-compulsivos ou apenas diletantes?

Pensava que com as quatro moções que os berloquistas discutiram nas jornadas parlamentares teriam atingido o auge dos delírios. Não atingiram. Confira-se o projecto de lei que apresentaram no parlamento sobre o «direito à autodeterminação do género» (não, não é regredir do género homo para o género Australopithecus afarensis, por exemplo; é apenas mudar de sexo) que pretende conferir aos maiores de dezasseis anos, e aos menores desde que legalmente representados ou por decisão do tribunal a pedido do menor, o direito a alterar no registo civil o «género», o nome e a fotografia do requerente de acordo com a sua «vivência interna e individual do género… e que inclui a vivência pessoal do corpo».

Ou seja, o João, um pimpolho com 16 anos, que segundo a lei ainda não atingiu a maioridade, poderá levantar-se um belo dia de manhã, vestir a lingerie, a saia e a blusa da mãe e ir ao registo civil requerer a mudança para o «género» feminino e passar a chamar-se Joana. Se, mais tarde, a sua «vivência interna e individual do género… e que inclui a vivência pessoal do corpo» mudar, vestirá as cuecas, as calças e a camisa do pai e voltará ao registo civil para mudar para o «género» masculino e chamar-se de novo João.

O João à saída do registo civil com o novo «género»
É claro que, sem esta lei, nada impediria o João, ou a Joana, de atingindo a maioridade alterar o seu registo civil sem necessidade de representação e, por isso, faria muito mais sentido antecipar a maioridade para os 16 anos já que, se uma criatura tem maturidade para decidir mudar de «género», terá maturidade para assumir plenamente os seus direitos e responsabilidades – ter não tem, mas isso é outra questão. Por isso, este projecto de lei é apenas mais uma bandeira pour épater le bourgeois ou, dito de outra maneira, só não é um insulto à inteligência porque os parolos que se deixam fascinar por estas iniciativas devem pouco à inteligência.

2 comentários:

Lura do Grilo disse...

Eh ... pá.

Muito prometedor: pode-se ir ao vestiário das meninas dar uma espreita e passar despercebido.

Anónimo disse...

Ah grande Do Grilo!
Sempre a pensar na malandrice!
Se eu tivesse 16-18 anos vestia-me como a mamã e ia apalpar a pitinhas aos balneários desportivos. Sempre era um desporto. Enfim, não homologado...