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28/03/2015

A defesa dos centros de decisão nacional (12) – Unintended consequences (III)

[Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7),  (8), (9), (10) e (11)]


Recordando: a coisa começou com um Manifesto dos 40, seguido pouco depois pelo Compromisso Portugal, fóruns de empresários e gestores que defendiam a manutenção no rectângulo dos chamados centros de decisão nacional. Ainda a tinta das assinaturas dos manifestos e compromissos não tinha secado e a família Vaz Guedes vendia a Somague aos espanhóis da Sacyr Vallehermoso.

Uns anos antes, por volta de 2005, Diogo Vaz Guedes anunciou com pompa e circunstância que haveria de abrir uma dúzia de hotéis nos 12 anos seguintes e para tal criou com António Mexia e Miguel Simões de Almeida a Aquapura. Dez anos depois a Aquapura está num processo de falência, que no newspeak se passou a chamar PER (Processo Especial de Revitalização) com uma dívida de 46 milhões – a quase totalidade detida pelo BES Investimentos, who else?

Outro centro de decisão nacional foi a Ongoing, a quem o Impertinente dedicou inúmeros posts, cujo deus ex machina foi o tio Ricardo do BES. Beneficiária do desnatamento da PT, cúmplice dos crimes que a derrubaram e vítima da sua queda, a Ongoing está ela própria próxima da ruína com uma dívida que se estima em 500 milhões. Os seus criadores – Nuno Vasconcelos e Rafael Mora – tão amigos que eles foram, estão agora desavindos.

E assim continua o fracasso de uma estratégia, muito celebrada por essa variedade do jornalismo de causas que baptizámos jornalismo promocional, assente no conúbio entre o capitalismo de compadres e o complexo político-empresarial socialista.

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