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05/03/2015

Lost in translation (229) – Juncker traduzido pelo jornalismo de causas doméstico


Entrevista publicada ontem de El Pais a Jean-Claude Juncker, presidente da CE;

«P. El tradicional eje franco-alemán parece cosa del pasado. ¿Qué opinión le merece lo que Tony Judt denominaba “el inquietante poderío de Alemania”?

R. Grecia es el ejemplo de que esa impresión acerca de que Alemania lidera Europa con mano de hierro no se corresponde con la realidad. Ha habido varios países más severos que Alemania: Holanda, Finlandia, Eslovaquia, los bálticos, Austria. En las últimas semanas, España y Portugal han sido muy exigentes en relación con Grecia.»

O mesmo Juncker citado hoje por El Pais corrigindo as interpretações da entrevista:

«“No he observado que España y Portugal tengan un plan diabólico para derrotar a [Alexis] Tsipras”, el primer ministro griego, ha dicho Juncker en tono irónico. “Si hubiera observado que Mariano y Pedro estuvieran haciendo algo similar, habría actuado, pero no ha sido así”, ha añadido.»

Da entrevista do El Pais, o jornalismo de causas doméstico extraiu a conclusão que «Juncker acusa Portugal e Espanha de terem sido muito exigentes com a Grécia» (exemplo do DN) para induzir a comprovação da teoria conspiratória de Tsipras. No contexto da pergunta a conclusão mais razoável seria que a Alemanha manda menos do que se pensa ou que há uma dezena de países, entre os quais Portugal e Espanha, que não vão na conversa de Tsipras. Vejam-se por exemplo as opiniões de dirigentes da Eslováquia, Estória, Letónica e Lituânia citadas aqui.

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