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20/10/2014

Pro memoria (201) – Atropelado pelo princípio da realidade e pelas leis de Parkinson

António Costa candidato a primeiro-ministro, cujos bolsos estão cheios de soluções de crescimento para o país, reconheceu que «não existe solução» para um problema deveras mais simples que são as inundações na cidade da qual é presidente da câmara.

É claro que solução, do tipo «solução final», para o problema das inundações, não existe. Nem para qualquer outro problema dessa natureza e magnitude. Por isso, Costa não pode ser responsabilizado pela falta de «solução final». Contudo, há medidas de mitigação do problema pela falta das quais Costa pode e deve ser responsabilizado.

E, por maioria de razão, deve ser responsabilizado por decisões que eliminaram medidas de mitigação como a manutenção preventiva dos colectores, ao extinguir em 2011 o departamento de obras de infra-estrutura e saneamento da CML reduzindo os seus 130 elementos a menos de metade e integrando-os em outros departamentos. Ao mesmo tempo que extinguia esse departamento mantinha nos quadros da câmara (ver este post do Impertinente):
  • 330 arquitectos 
  • 101 assistentes sociais 
  •  73 psicólogos 
  •  104 sociólogos 
  •  146 licenciados em marketing 
  •  260 engenheiros civis 
  •  156 historiadores 
  •  303 juristas, cujo serviço se supõe que deve ser dar parecer sobre os pareceres que a CML encomenda a gabinetes de advocacia privados, incluindo um a quem a câmara pagou 75 mil euros por um ano e 10 meses.

E tudo isto apesar de ter sido alertado há 4 anos para «uma situação de muito perigo, que é a degradação da rede de saneamento (que se encontra) num estado deplorável». E quem fez esse diagnóstico? O mesmo António Costa que pelos vistos sofre de um sério problema de dupla personalidade.

[Fonte: «Câmara desmantelou serviços de saneamento», Paulo Paixão no Expresso]

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