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09/10/2014

Lost in translation (212) – Traduzindo a coisa por miúdos

Podemos dormir descansados. Temos um governo que cuida com desvelo dos nossos interesses e, quando falha, temos a oposição, em particular a oposição berloquista.

Segundo disse no parlamento, com a sua linguagem colorida, a deputada Mariana Mortágua, a resolução do BES «foi apresentada como não tendo um tusto de dinheiro dos contribuintes vai ter, sim, um custo para os contribuintes», porque a ministra das Finanças assumiu agora que a Caixa Geral de Depósitos «pode ter perdas» com o Novo Banco.

Maria Luís Albuquerque disse no parlamento na semana seguinte à intervenção que «a responsabilidade é exclusivamente do sector financeiro». Não explicou aos deputados que representando um banco x% do mercado bancário terá uma participação de x% no Fundo de Resolução e, por isso, suportaria a proporção de x% numa perda relacionada com a resolução de BES. E também omitiu que a Caixa é um banco público com 30% do mercado

Se não fosse a clarividência e competência técnica da deputada e economista Mariana Mortágua ainda hoje teríamos ficado sem saber que a Caixa é um banco público, que tem 30% do mercado bancário e tem, portanto, a mesma participação no Fundo de Resolução e que, consequentemente, a Caixa pagará 30% das perdas com a resolução do BES e, no fim da linha, esse custo poderá ser suportado pelo accionista da Caixa que é o Estado.

Isso não aconteceria se o BES fosse nacionalizado como preconizou a deputada. A coisa ficaria logo arrumada com o Estado com accionista único do BES. Para quem tenha dúvidas, veja-se o modelo BPN que, segundo Teixeira dos Santos, «não custou nada» e o nada vai já em 7 mil milhões.

1 comentário:

Antonio Cristovao disse...

Os criticos tornam-se estranhos porque batem sepre na tecla dos que tentam remediar as consequencias da trapaça,mas são discretos com os trapaçeiros!! será que tem significado ou é só por azar?