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07/10/2014

CASE STUDY: Estava escrito nas estrelas (5)

[Continuação de (1), (2), (3) e (4)]

Segundo a Reuters, é provável a Comissão Europeia decidir rejeitar o orçamento de 2015 da França por não cumprir com as metas fixadas para redução do défice. É uma inauguração para a Comissão na aplicação das novas regras e tem dois desfechos: (1) penalizações simbólicas e mais uns anos para reduzir o défice para 3% ou (2) a CE faz finca-pé na reformulação do orçamento conformando-o às metas em vigor. O primeiro desfecho é o mais provável porque o segundo elevaria o conflito a um nível que poria em causa o castelo construído sobre a areia que é a União Europeia.

É nestas alturas é que a memória da história se torna indispensável. Quando, logo após a queda do Muro de Berlim, a Alemanha Ocidental quis avançar para a reunificação, a França pôs várias condições, sendo a mais importante a criação de uma moeda única para «amarrar» a Alemanha à União. Os alemães aceitaram muito relutantemente prescindir do seu adorado marco na condição de existirem regras minimizando o risco do deboche orçamental, regras que os franceses aceitaram sem relutância porque imaginaram que os amanhãs orçamentais continuariam a cantar para todo o sempre como cantavam à época.

A construção da UE enferma de vários vícios que comprometem a sua viabilidade. O maior desses vícios é o ser uma construção top-down feita num longo período excepcional e irrepetível de vacas gordas e baseada em premissas que não resistiram aos primeiros 7 anos de vacas magras.

A UE é por isso dificilmente sustentável porque uma história de séculos de divisões e guerras não se apaga em poucas décadas só porque uns quantos dirigentes resolvem impor uma sua brainchild. Teria sido mais prudente ficar pelo mercado único (aprofundado e alargado aos serviços) do que avançar em terrenos desconhecidos a caminho para um estado federado.

E talvez o pior dos dois mundos seja ficar algures a meio do caminho, com uma união monetária que não reúne as condições mínimas para constituir uma zona monetária óptima como se vem escrevendo no (Im)pertinências há 8 anos.

1 comentário:

Antonio Cristovao disse...

A estima que os europeus têm pelo que foi feito- fraca e com desdem, contrasta com a imagem que o resto do mundo tem da UE; e penso com razão porque comparar a civilização europeia com a dos EUA deixa-nos com o ego em alta.