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08/10/2014

Estado empreendedor (92) – As reformas não consistem em ejaculações legislativas (II)

Em menos de um mês o governo acrescentou ao seu passivo dois falhanços em toda linha. Primeiro, o colapso da plataforma Citius comprometeu a reforma judiciária e revelou falta de capacidade de gestão e, em particular, de antecipar e gerir os riscos inerentes a um sistema que nasceu torto. A seguir o caos em centenas de escolas por problemas de colocação de professores, tudo indica pelo mesmo tipo de razões.

No fundo a raiz dos problemas é sempre a mesma. A dimensão e complexidade da máquina centralizadora do Estado está acima das capacidades de gestão do pessoal político e técnico disponível. E o mais dramático é que o caos se multiplica precisamente quando se pretendem introduzir reformas, as quais adicionam à insuficiente capacidade de gestão as resistências activas das corporações afectadas pelas reformas – nestes casos professores, advogados e juízes. Em relação à colocação dos professores, leia-se o artigo de José Manuel Fernandes, um dos pouquíssimos que faz uma análise objectiva e imparcial das razões do falhanço.

Daqui resulta que há mais garantias de tudo «funcionar bem» não mexendo em nada do que introduzindo reformas. É claro que não mexer em nada significa manter inalterado um Estado omnipresente e ineficiente que consome metade dos recursos do país, empurrando com a barriga os problemas, mas isso não tira o sono a uma classe política medíocre, nada patriótica e sem coragem que procura no exercício da política o meio de vida que não tem fora dela.

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