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08/10/2014

Exemplos do costume (25) – O vómito rancoroso cor da rosa

Percebo termos todos, em graus e quantidades variadas, os nossos ódios de estimação. Esforçando-me, consigo até perceber que arrebatados por esses ódios se digam disparates, asneiras, se atropelem os factos e se insultem os objectos dos nossos ódios. De preferência em privado.

Foi o que fez, mais uma vez, em público e letra de forma, Clara Ferreira Alves na sua coluna Pluma Caprichosa que alimenta há anos na Revista do Expresso com material desse calibre. Desta vez foi a respeito de António José Seguro e Passos Coelho, cujos nomes não cita e a quem se refere como o «passarito» e o «passarão» respectivamente, numa peça salpicada de subentendidos e insinuações.

Acontece, porém, ser Clara Ferreira Alves uma jornalista profissional, com salário pago pelo Dr. Balsemão, que vai no seu escrevinhar muito para além dos limites em matéria de insulto pessoal até para os padrões do jornalismo de causas. Acontece que a peça não é jornalismo de investigação, nem sequer se pode classificar como comentário político, porque não tem nada de investigação nem político. E muito menos de jornalismo. É mau de mais até para Clara Ferreira Alves.

À falta de melhor adjectivação, chamo ao escrito da Pluma Caprichosa vómito rancoroso cor da rosa, inspirado no falecido Mário Castrim, um notório comunista, que, referindo-se ao Comércio do Funchal, um notório refúgio do esquerdismo bem-pensante, nos fins dos anos sessenta e princípios dos anos setenta, apelidava o jornal em causa de «vómito cor-de-rosa» (que era cor das folhas do dito). O rancoroso não precisa de explicação. A «cor da rosa» é pelas suas públicas inclinações por José Sócrates, agora transportadas para António Costa que está tão presente na peça que nem precisou de ser citado.

E é um vómito rancoroso não por ser cor da rosa – podia ser cor-de-rosa, vermelho ou azul – mas por evidenciar uma parcialidade e enviesamento doentios, ainda que não surpreendentes para quem fez a vergonhosa entrevista branqueadora e exaltante de José Sócrates, entrevista inspirada na doutrina Somoza cuja autópsia foi feita na morgue do (Im)pertinências (ver I, II, III e IV).

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