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13/10/2014

CASE STUDY: Um minotauro espera a PT no labirinto da Oi (16)

[Outras esperas do minotauro]

A intelligentsia deste país só agora passados vários anos começa a perceber o que aconteceu à PT com a venda da Vivo e a compra da Oi. Se lessem o (Im)pertinências teriam ganho 44 meses.

Havia várias coisas importantes já conhecidas, por exemplo: o móbil da venda da Vivo foi financiar as tesourarias secas dos accionistas da PT – em especial o GES -, e a compra da Oi foi uma jogada política triangulada por Ricardo Salgado, José Sócrates e Lula da Silva e os seus respectivos acólitos, com motivações diversas. Pelo lado dos brasileiros tratava-se a sacar dinheiro à PT para pagar uma parte das dívidas ao BNDES – uma espécie de banco de fomento do lulismo. Pelo lado do governo de Sócrates tratava-se de uma dupla motivação: (1) limitar os danos - se o produto da venda da Vivo ficasse na PT seria totalmente sorvido pelos accionistas com o GES à cabeça e (2) montar uma operação de grande efeito mediático em que o animal feroz acossado pelo resgate iminente apareceria como o salvador da pátria.

Depois, foram-se conhecendo outras informações que confirmaram a extensão da manobra urdida por Ricardo Salgado e acólitos. Deu à costa um email deste último em que insinua ter sido acordado com os accionistas da Oi que estes iriam comprar com o dinheiro da venda à PT da participação na Oi dívida das participadas do GES para manter este a flutuar. Seria uma jogada de mestre – se os outros jogadores estivessem a dormir. Não estavam, tinham tão poucos escrúpulos quanto a gente do GES e aproveitaram o escândalo do BES e da compra de obrigações da RioForte pela PT e encostaram a gestão e os accionistas portugueses às cordas.

Agora que caiu a cabeça de Zeinal Bava, deixando a PT totalmente entregue aos accionistas da Oi e começando a suspeitar-se pretender a Oi vender a PT nos saldos, começam a ficar clara a extensão do desastre resultante essencialmente da relação incestuosa entre o capitalismo de compadres e o lulismo e o socratismo, modalidades do socialismo tropical e subtropical, respectivamente.

E o que fazem agora os que anunciaram os amanhãs radiosos de uma PT para a Lusofonia quando a operação Vivo por Oi se consumou? Imploram que o governo de Passos Coelho prolongue essa relação incestuosa para assegurar novos amanhãs menos radiosos, não já de uma PT para a Lusofonia, mas ao menos de uma PT para o Portugal dos Pequeninos. Esquecem tudo e não aprendem nada.

ADITAMENTO:

Nem de propósito, António Costa escreveu hoje Económico :

«Em primeiro lugar, gerou-se uma espécie de movimento de protecção dos centros de decisão nacional, outra vez. Sim, há muito boa gente que defende que o Governo deve meter-se num negócio de privados. É um pedido inútil, mas sobretudo errado. 

 Saberão que a PT Portugal, a empresa que tem a tecnologia, a inovação, o Meo, já é uma subsidiária brasileira da OI? Desde Abril, desde que a fusão avançou, a PT que está em bolsa, a SGPS, já não tem negócio, tem uma participação na Oi, e é esta empresa que tem a chamada PT Portugal. Poderia chamar-se Oi Portugal, mantém o nome PT apenas por razões políticas. Ora, se há lição a tirar dos últimos anos de governação em Portugal, é a de que os governos meteram-se no que não deviam, por más razões. Os mesmos que aplaudiram Pedro Passos Coelho por deixar cair o Grupo Espírito Santos (GES) pedem agora que o primeiro-ministro defenda a PT, viciando a concorrência. A que título? Por que do lado de lá, o Estado brasileiro é accionista da Oi? Estarão à dizer-nos que o Governo deve usar o dinheiro dos contribuintes para salvar a PT, para defender um negócio de telecomunicações, é isso?»

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