Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

11/02/2022

CASE STUDY: Democracias defeituosas (4) - A democracia social-costista foi despromovida, outra vez

Segundo o índice da Economist Intelligence Unit, o Dr. Costa colocou a democracia portuguesa outra vez um poucochinho mais defeituosa do que o ano passado mantendo-a na categoria de "democracia defeituosa" (*), caindo dois lugares por ter baixado outra vez o índice global de 7,90 para 7,82 (em 2020), o sétimo mais baixo da Europa Ocidental, em resultado principalmente de um fraco score do funcionamento do governo (desceu de 7,50 para 7,14) e da participação política cujo score, apesar de ter melhorado, é o quinto mais baixo da Europa Ocidental..


Com se vê no diagrama seguinte, o índice de democracia português tem mostrado uma tendência para se deteriorar.


Deterioração que se tem verificado em muitos outros países e que a pandemia veio acentuar com o seu cortejo de medidas de limitação das liberdades.

Economist

(*) «Democracias com falhas (Flawed democracies): estes países também têm eleições livres e justas e, mesmo que existam problemas (como a violação da liberdade de imprensa), as liberdades civis básicas são respeitadas. Contudo, existem fraquezas significativas noutros aspectos da democracia, incluindo problemas de governação, cultura política subdesenvolvida e baixos níveis de participação política.»

10/02/2022

Minerando o guito europeu. Uma imprensa em profunda comunhão com o governo e o zeitgeist socialista-mendicante

Negócios

«Middle income trap», disse a Dr.ª Elisa

Na conferência de imprensa de apresentação do 8.º Relatório da Coesão, a Dr.ª Elisa Ferreira, comissária europeia da Coesão e Reformas, referindo-se às «regiões de rendimento intermédio ou menos desenvolvidas, especialmente no sul e no sudoeste, (que) estão a sofrer de estagnação económica ou declínio (...)  foram atingidas pela crise económica e financeira de 2008 e estão a ter dificuldade em recuperar desde então» explicou que essas regiões, que abrangem todas as regiões (NUTS) portuguesas salvo a PT17 (Área Metropolitana de Lisboa), estão numa armadilha de rendimento médiomiddle income trap»).

No caso português, com a excepção da Área Metropolitana de Lisboa, todas as outras regiões tiveram desde a adesão um PIB per capita bastante abaixo da média da UE, por razões conhecidas que incluem factores políticos, sociais, culturais e económicos, tais como um Estado omnipresente que não aprecia os "privados", aversão ao risco e à concorrência, mão-de-obra pouco qualificada, défice de gestão e descapitalização que explicam a persistente a baixa produtividade, etc. Por isso, no caso português explicar que estão numa armadilha de rendimento médio, pareceu-me excêntrico até para a Dr.ª Elisa.

Pareceu-me, até que recordei a proverbial excentricidade do seu pensamento político e económico que mostrou, por exemplo, quando foi candidata pelo PS à Câmara do Porto, em simultâneo com a candidatura ao parlamento europeu, onde, como então disse, «vou só dar o nome e volto», e explicou aos velhinhos de um lar que visitou «pintaram [a vereação de Rui Rio] os bairros, mas esqueceram-se de vos dizer que o dinheiro é do Estado, é do PS».

09/02/2022

As manobras manipulativa do Czar Vlad denunciadas por quem sabe

 «Hoje, a humanidade vive na expectativa de uma guerra. E a guerra significa inevitáveis vítimas humanas, destruições, sofrimentos de um grande número de pessoas, o fim do modo de vida normal, a destruição de sistemas vitais de funcionamento de Estados e povos. Uma guerra grande é uma enorme tragédia e um crime grave. Acontece que no centro desta ameaçadora catástrofe está a Rússia. E pela primeira vez na sua história.

Antes, a Rússia (URSS) conduziu guerras inevitáveis (justas) e, guerra geral, quando não havia outra saída, quando estavam sob ameaça os interesses vitais do Estado e da sociedade.

E o que é que hoje ameaça a existência da própria Rússia, há semelhantes ameaças? Pode-se afirmar que, realmente, as ameaças estão à vista: o país está no limiar de terminar a sua história. Todas as esferas vitalmente importantes, incluindo a demografia, degradam-se constantemente e os ritmos de redução da população batem recordes mundiais. E a degradação tem um carácter sistémico e, em qualquer sistema complexo, a destruição de um dos elementos pode conduzir à queda de todo o sistema.

E, pensamos nós, esta é a principal ameaça para a Federação da Rússia. Mas esta ameaça tem uma natureza interna, que parte do modelo de Estado, da qualidade do poder e da situação da sociedade.

E as causas do seu aparecimento são internas: a inviabilidade do modelo estatal, a total incapacidade e falta de profissionalismo do sistema de poder e administração, a passividade e desorganização da sociedade. Nenhum país viverá muito nestas condições.

No que respeita às ameaças externas, elas estão incondicionalmente presentes. Mas, segundo peritagens nossas, elas, actualmente, não são críticas, não ameaçam directamente o Estado da Rússia, os seus interesses vitalmente importantes. Em geral, conserva-se a estabilidade estratégica, as armas nucleares estão seguras, os contingentes da NATO não aumentam, não há sinais de actividade ameaçadora.

Por isso, a situação crescente de tensão em torno da Ucrânia tem, antes de tudo, um carácter artificial, mesquinho para algumas formas internas, nomeadamente da Rússia.»

A denúncia das manobras do Czar Vlad a pretexto da Ucrânia é um excerto da mensagem ao Czar do general-coronel na reserva Leonid Ivashov em nome da União dos Oficiais da Rússia que José Milhazes traduziu e publicou no Observador, prestando um serviço a quem procurar conhecer a verdade por trás do nevoeiro informativo.

08/02/2022

Minerando o guito europeu. Quando há seca no Portugal dos Pequeninos tenta-se ir buscar água a Bruxelas

«Vou estar com o senhor comissário e vou reforçar de novo – à semelhança do que temos articulado com os outros Estados-membros da bacia do mediterrâneo – para podermos intensificar as medidas e darmos resposta às necessidades dos agricultores, por esta dupla crise que se faz sentir: não só pelo aumento dos custos de produção, mas também por esta crise severa que se faz sentir pela falta de água

Ministra da Agricultura em entrevista à Rádio Renascença

Esta gente é um bando de mendicantes profissionais que já perdeu qualquer noção de dignidade e decência. O Grande Zarolho escreveu no século XVI «um fraco Rei faz fraca a forte gente». Hoje escreveria um fraco Rei faz mais fraca a fraca gente.

PS: (*) Nem de propósito, a CE acaba de divulgar que o Portugal dos Pedintes é o país da UE em que o investimento público mais depende dos fundos europeus.

A dependência aumenta de 50% no anterior QREN (2007-2013) para 90% durante o actual Portugal 2020 (2014-2020). (Expresso)

(*) Neste caso não é Post Scriptum é Partido Socialista.

07/02/2022

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (1)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa».

Prólogo

A primeira fase da governação do D. Costa foi o «virar a página», dedicada a desmantelar as poucas reformas introduzidas pelo governo PSD-CDS. Nela assistimos à execução, com a assistência de S. Ex.ª o PR, de passes de mágica de grande sofisticação, entre os quais se destaca a redução do horário dos funcionários públicos de 40 para 35 horas que, garantiram todos os participantes no número, não teria consequências orçamentais.

Seguiu-se a fase das «contas certas» onde à custa de cativações e outros expedientes orçamentais o Dr. Costa procurou a quadratura do círculo tentando satisfazer comunistas e berloquistas e manter sossegada a CE.

A partir das eleições de 2019, a geringonça começou a desfazer-se e o Dr. Costa inventou em sua substituição uma espécie de Passarola que teve vida curta e se afundou com o chumbo do OE2021 pelos antigos aliados, agora inimigos. Chumbo que levou às eleições do dia 31 de Janeiro em que o eleitorado do Partido do Estado, a que o PS costuma chamar povo, falou e disse que não está para maçadas, preferindo a mansidão da decadência à turbulência das "reformas" e dos "mercados" e espera que o Dr. Costa, agora livre da geringonça, consiga com as suas habilidades extorquir à Óropa e aos ricos os dinheiros necessários para manter o statu quo.

A herança de Passos Coelho, reiteradamente invocada pelo Dr. Costa e seus ajudantes e pelos ex-aliados da geringonça, herança que, aliás, era do Eng. Sócrates e dos seus ajudantes (entre os quais o Dr. Costa), prescreveu há pelo menos quatro anos. A partir de agora, a pesada herança do Dr. Costa é a obra de 6 anos que ele próprio carregará aos ombros da sua maioria absoluta. Contudo, não se diminua a proverbial habilidade do Dr. Costa a descartar responsabilidades e, por isso, o mais tardar no final do mandato, ou antes, se as coisas correram começarem a correr pior mais depressa, devemos estar preparados para receber a herança que ele nos vai deixar que rivalizará com a do seu antecessor Eng. Sócrates.

«Pagar a dívida é ideia de criança» ou o passe de mágica do governo do Dr. Costa

Num coro afinado, a imprensa amiga publicou a semana passada a Boa Nova do recuo de 900 milhões da dívida pública, com títulos enaltecendo o feito.

Banco de Portugal

Quando se lê a nota de informação do BdP e se observa o gráfico acima, salta à vista que a redução de 900 milhões da dívida bruta foi exclusivamente conseguida à custa da redução da almofada de segurança dos depósitos em bancos. A dívida líquida, que é afinal a que interessa, aumentou 7.372 milhões para 253.039 milhões. Se compararmos as dívidas líquidas em Dezembro de 2017 e em Dezembro de 2021 constatamos que em quatro anos houve um brutal aumento de 26.603 milhões, apesar das cativações e outros truques orçamentais, passando o rácio da Dívida Líquida/PIB de 116% para 121%.

06/02/2022

PUBLIC SERVICE: Fear fueled by risk aversion is a major threat to democracy

«The second of democracy’s great enemies is fear. People who are sufficiently frightened will submit to an authoritarian regime which offers them security against some real or imagined threat. Historically, the threat has usually been war. In the two world wars of the twentieth century Britain transformed itself into a temporary despotism with substantial public support. Wars, however, are rare. This country has generally conducted its wars at a distance. It has not faced an existential threat from external enemies since 1940, unless you count the high point of the nuclear threat in the 1960s.

The real threat to democracy’s survival is not major disasters like war. It is comparatively minor perils, which in the nature of things occur more frequently. This may seem paradoxical. But reflect for a moment. The more routine the perils from which we demand protection, the more frequently will those demands arise. If we confer despotic powers on government to deal with perils, which are an ordinary feature of human existence, we will end up doing it most or all of the time. It is because the perils against which we now demand protection from the state are so much more numerous than they were that they are likely to lead to a more fundamental and durable change in our attitudes to the state. This is a more serious problem for the future of democracy than war.

It arises because of the growing aversion of western societies to risk. We crave protection from many risks which are inherent in life itself: financial loss, economic insecurity, crime, sexual violence and abuse, sickness, accidental injury. Even the late pandemic, serious as it was, was well within the broad range of mortal diseases with which human beings have always had to live. It is certainly within the broad range of diseases with which we must expect to live with in future.

We call upon the state to save us from these things. This is not irrational. It is in some ways a natural response to the remarkable increase in the technical competence of mankind since the middle of the nineteenth century, which has considerably increased the range of things that the state can do. As a result, we have inordinately high expectations of the state. We are less inclined to accept that there are things that it cannot or should not do to protect us. For all perils, there must be a governmental solution. If there is none, that implies a lack of governmental competence.

Attitudes to death provide a striking example. There are few things as routine as death. “In the midst of life, we are in death,” says the Book of Common Prayer. Yet the technical possibilities of modern, publicly-financed medicine have accustomed us to the idea that, except in extreme old age, any death from disease is premature, and that all premature death is avoidable. Starting as a natural event, death has become a symptom of societal failure.

In modern conditions, risk-aversion and the fear that goes with it are a standing invitation to authoritarian government. If we hold governments responsible for everything that goes wrong, they will take away our autonomy so that nothing can go wrong. We have had a spectacular demonstration of this during the pandemic, where coercive measures with radical effects on our lives were made by ministers with strong public support but minimal parliamentary input. A minister told me some months ago that he thought liberal democracy an unsuitable instrument for dealing with a pandemic, and that something more “Napoleonic” was needed. He was making a more significant point than he realised. Whatever one thinks about this — and my own views are well known — it unquestionably marks a significant change in our collective mentality.»

An excerpt from "«When fear leads to tyranny. Democracy is being quietly redefined» an essay by Jonathan Sumption

05/02/2022

Títulos inspirados (94) - Em Março acaba-se a mama esquerda. A mama direita vai durar mais algum tempo. Um dia o Dr. Costa será desmamado


O programa especial de compra de dívida é mesmo para acabar em março, o que poderá levar a uma subido nos juros mas, para já, as taxas ficam ficam na mesma.

04/02/2022

De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (55) - Qual a eficácia e o fundamento científico das medidas de confinamento? (II)

Este post faz parte da série De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva e é uma continuação de (I)

Há um ano citámos as conclusões de um estudo do prof. Ioannidis (Assessing Mandatory Stay‐at‐Home and Business Closure Effects on the Spread of COVID‐19) no sentido do efeito líquido das medidas mais restritivas de confinamento doméstico e do fecho de empresas tomadas adicionalmente às medidas menos restritivas (como no caso da Suécia e Coreia do Sul que não adoptaram o confinamento doméstico obrigatório e do fecho compulsivo de empresas) não ter sido significativo no número de casos e que, em consequência, reduções da mesma amplitude poderiam ter sido alcançadas com medidas menos restritivas.

Desta vez citamos as conclusões de um paper acabado de publicar de Jonas Herby, Lars Jonung e Steve H. Hanke (A LITERATURE REVIEW AND META-ANALYSIS OF THE EFFECTS OF LOCKDOWNS ON COVID-19 MORTALITY), onde foram revistos 24 estudos comparando países de acordo com o rigor dos seus confinamentos e a obrigatoriedade de uso de máscaras. A conclusão é não ter sido possível estabelecer uma relação clara entre o rigor do confinamento e a letalidade na primavera de 2020. O confinamento terá com reduzido apenas 0,2% das mortes e a obrigatoriedade de isolamento em casa reduziu as mortes em 2,9%. 

É claro que estas conclusões não têm um valor absoluto, a começar pelo facto de para a meta-análise terem sido escolhidos 24 entre muitos outros estudos. Apenas são um contrapeso à ciência de fancaria que apresenta às massas ignaras dogmas que parecem ditados por uma entidade divina.

02/02/2022

DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.

Monica Vitti, a amante que todos os maiores de 60 anos gostariam de ter tido

A política de coerção e má vizinhança do Novo Império do Meio

«As disputas no Mar da China Meridional remontam a décadas. Envolvem Brunei, China, Malásia, Filipinas, Taiwan e Vietname, todos com reivindicações contestadas. Mas foi apenas há dez anos que a China, que faz reivindicações marítimas bizarras por quase todo o mar, aumentou bastante a aposta. Primeiro, provocou um impasse que a deixou a controlar um atol desabitado, Scarborough Shoal, que sob a lei marítima da ONU claramente pertence às Filipinas, situado dentro da Zona Económica Exclusiva de 200 milhas náuticas daquele país. Em seguida, a China lançou um exercício maciço de terraformação, transformando recifes e rochas em ilhas artificiais que abrigam pistas e bases. O que conseguiu a China, uma década depois, além da destruição intencional de ecossistemas únicos?

A terraformação no mar acabou. Xi Jinping, o presidente da China, afirmou que seu objetivo era beneficiar todos – reforçando a segurança da navegação para o transporte comercial, por exemplo – e que as novas ilhas não tinham finalidade militar. As alegações são um disparate. As ilhas artificiais abrigam pistas para bombardeiros de longa distância, bunkers reforçados, baterias de mísseis e radar militar. O objetivo de longo prazo, dizem diplomatas e analistas regionais, é projetar o poder chinês profundamente no Mar do Sul da China e além, e manter os americanos afastados durante qualquer conflito.

O objetivo imediato, porém, é dominar política e economicamente tanto quanto militarmente. Aqui, as novas bases ajudam não através da implantação de hard power, mas com a coerção disfarçada dos vizinhos. Guarda costeira, navios de pesquisa e “milícias marítimas” desempenham seu papel. Estas últimas são frotas supostamente envolvidas na pesca comercial, mas na realidade trabalham ao lado de operações militares e policiais chinesas em águas disputadas.

Em Março passado, cerca de 200 barcos de pesca chineses invadiram o recife de Whitsun, dentro da ZEE filipina. Hoje, cerca de 300 navios da milícia estão presentes todos os dias em torno das Ilhas Spratly, no coração do Mar da China Meridional, escreve Gregory Poling, do Centre for Strategic and International Studie, um centro de estudos em Washington. A China desafiou a atividade de petróleo e gás da Indonésia e da Malásia e enviou plataformas de perfuração para as ZEE e plataformas continentais de ambos os países. Intimidou as empresas estrangeiras de energia a abandonar o desenvolvimento conjunto com o Vietname e outros, enquanto oferece aos vizinhos a cenoura do desenvolvimento conjunto consigo própria – na condição das suas reivindicações serem reconhecidas.

A China pagou um preço diplomático. Se Xi se não tivesse envolvido em nenhuma terraformação e intimidação, a China seria mais admirada entre os membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) de dez países. A ocupação dos recifes de Whitsun levou o presidente Rodrigo Duterte, das Filipinas, a deixar de cultivar Xi e a manter-se próximo dos Estados Unidos. Os Estados Unidos e seus aliados ocidentais aumentaram sua presença naval no mar, o que foi saudado pela maioria dos membros da ASEAN. No entanto, a China age como se o tempo estivesse do seu lado – afinal, é o parceiro económico indispensável da região. Mais cedo ou mais tarde, calcula, um país se separará dos restantes e aceitará um projeto de desenvolvimento conjunto chinês dentro de sua própria ZEE, cedendo assim às reivindicações de soberania da China.»

01/02/2022

O povo falou e disse: queremos mais do mesmo e entre a imitação e o autêntico preferimos o autêntico

O povo falou e cada um escutou o que queria ouvir. Eis o que ouvi.

A esquerdalhada comunista e berloquista foi devastada e em dois anos perdeu metade dos seus votos. São os comunistas a caminharem para o caixote do lixo da história e os berloquistas a esgotaram o seu arsenal de causas masturbatórias que nada dizem à maioria de dependentes do Estado. Não se percebe como conseguirão continuar a falar em nome do povo.

O PSD de Rio e o CDS de Chicão, depois de dois mandatos de 6 anos do PS, perderam mais de 400 mil votos em relação à eleição de 2015 com o PSD e o CDS de então desgastados por quatro anos a resgatar o país do desastre socialista. Uma vez mais, o povo preferiu o socialismo de Costa ao socialismo de Rio.

IL, um agregado instável composto por linces da Serra da Malcata (*), genuínos apreciadores da liberdade, e por pragmáticos e diletantes que na verdade gostariam principalmente de pagar menos IRS, conseguiu mais votos do que as tribos que compõem a esquerdalhada e falam em nome do povo. Desconfio que fez o pleno.   

Chega, outro agregado instável, composto por genuínos cultores de Deus, Pátria e Família, que têm esperança que as bandeiras dos ciganos, da castração e da prisão perpétua sejam apenas concessões passageiras para mobilizar as massas, que eles imaginam patrióticas, e pelas mentes simples que só entendem ideias simples, muito carecidas de objectos para o seu ódio. Suspeito que também tenha feito o pleno.

Finalmente, os grandes vencedores destas eleições, o PS e o Dr. Costa que interpretaram que o povo, isto é o eleitorado do Partido do Estado, quer sopas e descanso, prefere a mansidão da decadência à turbulência das "reformas" e dos "mercados" e espera que o Dr. Costa, agora livre da geringonça, consiga com as suas habilidades extorquir à Óropa e aos ricos os dinheiros necessários para manter o statu quo.

E depois? E depois ainda não é o fim da história porque o socialismo na jangada de pedra suspende-se quando acaba o dinheiro de Bruxelas, o mais tardar por alturas do fim da bazuca que, por coincidência, é o fim do mandato do Dr. Costa. Um mandato durante o qual terá um PCP a fazer prova de vida nas greves e na rua, um BE a zumbir nas redacções onde pontifica e um clima económico que só pode ser pior do que desfrutou e não aproveitou. Vejamos qual o coelho que ele vai tirar da cartola para se irresponsabilizar.

Et voilà.

(*) Passaram muitos anos desde pela primeira vez comparei a raridade das criaturas apreciadoras da liberdade à dos linces da Serra da Malcata neste Portugal dos Pequeninos onde, como escreveu Alçada Baptista, não faltam libertinos, demagogos ou ultramontanos e onde tudo chega tarde, desde o comunismo em 1975, quando já estava moribundo, até ao liberalismo no presente quando já está entre parêntesis nas democracias avançadas onde agora o Estado omnipresente retoma a sua proeminência.

31/01/2022

"Eleições faz de conta". Quem não tem cão caça com gato mas o gato que parecia conseguir caçar no faz de conta, afinal não conseguiu. A grande falha

Continuação de será que o gato consegue caçar? e de será que o gato caça o bicho certo?

Média das Sondagens (30-01) x Resultados eleitorais

A grande falha, diferença PS-PSD: sondagens 4 pp x resultados 14 pp.

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (122) - A Passarola Afundada (XIV)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O Dr. Costa, o homem-elástico, esteve à beira da rotura

A evolução das sondagens colocou à prova a elasticidade do Dr. Costa que começou por recusar qualquer entendimento com o PSD, o CDS, o PCP, o BE, o PAN e o Chega, acabou a garantir que estaria capaz de falar com todos, excepto o Chega, e até mandou o adjunto que gosta de malhar na direita garantir que o PS estaria disponível por fazer um acordo de cavalheiros com o Dr. Rio o que, pressupondo a existência de pelo menos dois cavalheiros, não me parece nada realista. O Dr. Costa demonstrou assim, mais uma vez, que os princípios não são para ele um fim em si mesmos e reafirmou a sua devoção pelo groucho-marxismo.

O Dr. Costa além de muito elástico tem vários chapéus

Na verdade, até tem uma samarra que envergou para dar uma cor local à sua campanha no Alentejo.

Com o seu chapéu de líder do PS, o Dr. Costa criticou os políticos que defendem que o futuro das pensões fique dependentes do «jogo de mercado», ou seja políticos como ele próprio, cujo governo tem 4,5 mil milhões do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social aplicados em acções e 14,7 mil milhões aplicados em obrigações, uns e outros cotados em bolsa.

Com o seu chapéu de economista-chefe de S. Bento, o Dr. Costa anunciou o crescimento de 4,6% em 2021 antecipando-se ao INE. E se o INE não confirmar? Nesse caso o Dr. Costa poderia fazer como o sultão Recep Tayyip que demitiu o director do INE turco por publicar dados «incompatíveis com os valores nacionais e morais». Dêem-lhe tempo.

Choque da realidade com a Boa Nova

O muitas vezes anunciado contrato-programa da ferrovia assinado em Junho de 2021 com a IP, que faz parte do pomposíssimo Programa Nacional de Investimentos 2030, foi prorrogado pela terceira vez. Como se sabe, isso para o Dr. Costa e a sua equipa não é um problema, é uma oportunidade, a oportunidade de continuar a fazer anúncios sobre o mesmo tema, caso um eleitorado abúlico lhe dê a oportunidade de continuar em S. Bento a fazer anúncios.

A difícil convivência do socialismo com a aritmética

O Dr. Leão estimou em Setembro o custo até então das medidas de resposta à pandemia em 30 mil milhões de euros. O Conselho das Finanças Públicas, no relatório Perspetivas Económicas e Orçamentais 2021-2025 estimou o impacto líquido total dessas medidas em 4,2% do PIB em 2020 e 2021 o que em contas redondas (PIB de 2020 = 202,4 mil milhões e crescimento de 5% em 2021) dá 17 mil milhões em dois anos. O Tribunal de Contas estimou em Dezembro o custo dessas medidas em 2020 em 5,7% do PIB ou seja uns 11,5 mil milhões. A semana passado a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) estimou que entre Janeiro e Setembro de 2021 o impacto directo das medidas de política covid-19 no saldo orçamental foi de -4 milhões de euros. Será que o Dr. Leão está a aplicar o célebre multiplicador keynesiano ao custo das medidas Covid?

30/01/2022

DIÁRIO DE BORDO: Clowning for a cause (3)

Uma continuação daqui

Durante a campanha eleitoral Ricardo Araújo Pereira a propósito e também a despropósito fez humor com algum gosto e também com mau gosto e verrina, hostilizando e ridicularizando os visados, o que fez com quase toda a gente. Em contraste, foi notória a suavidade com que tratou o pessoal do BE e especialmente visível a simpatia com que acolheu os comunistas.

"Isto é gozar com quem trabalha", foi assim uma espécie de tempo de antena suplementar do PCP, a pretexto de inocentes piadas que eram mais oportunidades para o convidado brilhar.

Declaração (im)pertinente de voto - só se pode escolher o que está à escolha (4)

 

Entre o prejuízo da certeza e o benefício da dúvida, escolhemos o benefício da dúvida e votamos coligados para uma coligação.


Impertinente ............................................ Pertinente

29/01/2022

CONDIÇÃO MASCULINA: Pronto, ele disse-o. Vamos ver se vai ser cancelado pelo Wokeism

«Acho que os homens, na minha opinião, se tornaram demasiado feminizados. Há mulheres muito fortes na minha vida que não consideram a masculinidade como um sinal de opressão em relação a elas. Há muitos genes covardes, eu acho, que levam as pessoas a desistir dos seus jeans e vestir uma saia.»

Sean Penn em entrevista ao Independent 

Um exemplo de que o mundo não é unidimensional como acreditam e querem fazer acreditar as mentes unidimensionais. Sean Penn é um conhecido esquerdista que foi ao Iraque apoiar Saddam, ao Irão apoiar os aiatolas, defendeu o presidente Hugo Chávez e entrevistou o presidente cubano Raul Castro em Havana, et pourtant.

Lost in translation (359) - O que falhou foi claramente a Dielmar não ser "estratégica"

Um destes dias, o secretário de Estado Adjunto e da Economia falando sobre a intervenção do governo do Dr. Costa na Dielmar disse

«O que falhou foi claramente uma gestão que não correspondia às necessidades da empresa. A intervenção do Estado era minoritária e a gestão era dos accionistas privados. Por diversas vezes nós procuramos, do lado da intervenção pública, alterar a situação porque manifestamente não correspondia às necessidades que objectivamente existiam.»

Tendo acompanhado esta saga nas Crónicas da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa deveria perceber o que a criatura quis dizer. Não percebi e recorri ao expediente do costume: o web bot de AI com machine learning baseada numa Neural Network com acesso a servidores de Big Data. Depois de 15 minutos o web bot devolveu uma mensagem ininteligível de erro terminada em fuck them.

Em desespero, alimentei o bot com o que escrevi sobre a Dielmar nas Crónicas nos últimos 3 meses e o resultado da tradução pelo bot foi:
«A verdade é que nenhum de nós no governo faz a menor ideia de como se gere um negócio. Somos quase todos funcionários públicos com empregos vitalícios e os poucos que não são estão em empresas parasitárias que vivem penduradas no Estado. Nem um negócio de venda de castanhas assadas num carrinha qualquer de nós seria capaz de lançar, quanto mais gerir uma empresa de confecções que só seria viável exportando a maior parte da sua produção. O que fazemos bem é torrar dinheiro em empresas “estratégicas”, que é o nome a que damos às empresas onde torramos dinheiro. O que fizemos, portanto, foi tentar que os sindicatos e os apparatchiks da câmara de Castelo Branco não nos chateassem, sobretudo com eleições à vista, e para isso injectámos lá dinheiro dos contribuintes e demos garantias que no futuro serão pagas pelos mesmos contribuintes, esperando que um “privado” ficasse com o mono. Porém, apesar de privados, os "privados" estranhamente não se mostraram muito entusiasmados em torrar lá o seu dinheiro.»

Esta tradução do bot parece saída da pena de um advogado que trabalha para o Estado. Para mim uma tradução curta e grossa ficaria como no título deste post. 

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O que escrevi sobre a Dielmar nas Crónicas nos últimos 3 meses:

28/01/2022

O Dr. Costa como groucho-marxista é o homem-elástico por excelência

O módulo de Young, ou módulo de elasticidade, mede a relação entre as tensões aplicadas e as deformações do material. Como se pode ver na evolução retratada nas citações seguintes, as deformações da política de alianças do Dr. Costa face às tensões das sondagens mostram sem sombra de dúvida que é feito de um material muito deformável. Mais de que um marxista, o Dr. Costa é um groucho-marxista: se com dificuldade podemos encontrar nele alguns princípios, com facilidade ele arranjará outros se não gostarmos dos originais.

17-08-2015 «um resultado que permita dar uma maioria absoluta»

26-09-2015 «Uma maioria absoluta é o que o PS precisa, é o que o país precisa»

04-10-2015 O Dr. Costa perde as eleições

10-11-2015 A geringonça chumba o programa de governo da coligação vencedora das eleições

26-11-2015 O Dr. Costa toma posse como primeiro-ministro da geringonça

27/01/2022

Novo Império do Meio, um gigante com pés de barro (3) - A engenharia social não costuma dar bons resultados

Continuação de (1) e (2)

China’s birth rate continues to fall

Primeiro foi política do filho único adoptada nos anos oitenta, algo só possível numa tirania, que acelerou a tendência para a taxa de fertilidade baixar quando melhoraram as condições económicas das famílias. A queda abissal do crescimento demográfico levou o Partido Comunista Chinês a tolerar primeiro dois e mais tarde três filhos. O resultado perverso foi que a taxa de natalidade e o crescimento demográfico ainda desceram mais. 

Igualmente perversa foi à resposta à liberalização do número de filhos que aumentou o número de abortos, o que levou Conselho de Estado a limitar o aborto aos casos médicos e o governo a considerar patriótico o dever de ter filhos. A complicar tudo, há preferência asiática por ter filhos em vez de filhas, o que está a levar à redução do rácio homens-mulheres. Em resultado de tudo isto o número de nascimentos desceu de 12,0 milhões em 2020 para 10,6 milhões em 2021 e o número de mulheres em idade fértil em 2021 foi 5 milhões inferior ao número de 2020.

O falhanço dos planos chineses de engenharia social é no campo demográfico o equivalente ao falhanço dos planos quinquenais na economia soviética.

26/01/2022

O problema da corrupção não é só moral (5) - Menos transparência do que os mais desenvolvidos e menos crescimento do que os mais opacos. É assim como o pior de dois mundos

Continuação descontinuada de (1), (2), (3) e (4)

Repetindo-me: se a corrupção fosse grave apenas por razões morais e éticas já seria mais do que suficiente para merecer a nossa atenção. Mas não é grave só por isso. É igualmente grave porque a corrupção é um factor de distorção do racional das escolhas económicas, que passam a ser feitas, não com base dos benefícios líquidos previstos, empresariais ou públicos, que delas se esperam que resultem, mas com fundamento no interesse de pessoas ou grupos que não têm legitimidade para intervir nessas escolhas.

Transparency International

25/01/2022

Para explicar a incompetência socialista podemos usar o dilema do Impertinente em alternativa ao trilema de Žižek

Como aqui recordei, faz mais de uma década, durante a ocupação comunista da Eslovénia, o filósofo esloveno Slavoj Žižek constatou que que, sob um regime de constrangimento ideológico, as virtudes de honestidade, inteligência e adesão sincera a esse regime eram incompatíveis.

Não quero insinuar, o que reconheço seria um pouco exagerado, que o trilema de Žižek se aplique simplisticamente ao regime mitigado de constrangimento ideológico que resulta do domínio pela esquerdalhada da maioria dos mídia no Portugal dos Pequeninos. 

Ainda assim, somos todos os dias confrontado com a incompetência governativa inexplicada mesmo por opções ideológicas - se é que este governo tem uma ideologia para além do propósito de inchar o Estado sucial para multiplicar oportunidades de negócio e de colocação da sua gente - pelo que sinto necessidade de uma ferramenta analítica para explicar esse facto dado que, não podendo garantir não haver socialistas competentes, o certo é não conhecer nenhum.

Como primeira tentativa de explicação, formulo o seguinte dilema: ou bem que todos os socialistas são incompetentes ou bem que os socialistas competentes vivem na clandestinidade.

24/01/2022

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (121) - A Passarola Afundada (XIII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

A mentira é o contrário da verdade e a mentira estúpida é o contrário da mentira inteligente

A mentira do Dr. Costa sobre as empresas falidas do antigo accionista da TAP de David Neeleman, o que segundo ele teria justificado a nacionalização da TAP, foi tão inútil e estúpida que até a imprensa amiga se viu em palpos-de-aranha para lhe limpar a folha. Como se fosse pouco, o Dr. Costa ainda teve arrogância para responder «era o que faltava» ao pedido de desculpa que Neeleman que lhe exigiu.

«Em defesa do SNS, sempre»

A semana passada foi a vez de chegar ao Hospital de Beja a epidemia de demissão dos chefes das urgências. Enquanto isso terminou na terça-feira passada a PPP do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, apesar do Tribunal de Contas ter concluído em Março do ano passado que «a gestão dos hospitais privados foi “genericamente mais eficiente” do que a média dos hospitais públicos, com custos operacionais por doente mais baixos e padrões de qualidade mais altos». (Económico)

É mais um exemplo da lei das consequências imprevistas típica das políticas socialistas - a pretexto de defenderem o SNS criam mais oportunidades de negócios para os malvados privados.

Para um socialista o que importa não é a separação de poderes é o poder

Foi recordado algures que a Dr. Van Dunem, quando já ministra da Justiça foi nomeada para o Supremo Tribunal de Justiça e trocou o chapéu de ministra pela toga para tomar posse em 2016.

A novela da «Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central» continua por mais uma temporada

Decorrido um ano e meio de nacionalização, a EFACEC tem mais 200 milhões de dívidas e facturou em 2021 menos de metade do que facturara no ano anterior. O governo acabou de a meter debaixo do tapete para evitar ser tema da campanha eleitoral, adiando por mais um semestre e acrescentando mais umas dezenas de milhões.

O algodão não engana. O Dr. Pedro Nuno Santos é um verdadeiro socialista

O Dr. Pedro Nuno Santos, comprou em Julho de 2020 a sucata da Renfe com amianto, declarando que Portugal (isto é, ele próprio) «pode ensinar a outros Estados estrangeiros e também a alguns privados como fazer bons negócios». Um ano e meio depois, foram recuperadas nas oficinas da CP 3 das 50 carruagens que aguardam certificação. A este ritmo não é certo que estejam todas recuperadas antes do Dr. Pedro Nuno se reformar.

Take Another Plan

Até o Dr. Costa foi ao Açores viajando na Ryanair, reconhecendo que também nos voos para as Regiões Autónomas (um dos álibis para manter o bezerro de ouro da TAP) os preços da TAP são mais ou mesmo muito mais caros.

23/01/2022

Não nos equivoquemos. O Dr. Costa não sofre de cegueira ideológica, ele sofre de falta de princípios a que chama pragmatismo

No artigo de opinião «Os custos da ideologia na política» no jornal Nascer do Sol, o economista Manuel Boto atribui as políticas dos últimos governos socialistas a «uma armadilha ideológica» onde supõe que o Dr. Costa tenha caído «que o tolhe nas opções das decisões racionais e mais lógicas para Portugal em cada momento».

Nada mais errado, Dr. Costa não caiu em nenhuma armadilha ideológica, nem está preocupado com as ideologias dos seus parceiros na geringonça, por cuja aliança sem princípios esses parceiros cobram o preço para satisfazerem as suas clientelas. O Dr. Costa perdendo as eleições de 2015 tomou uma decisão sem a qual não teria podido formar governo, decisão racional e lógica para ele e para um PS que procura ocupar o Estado sucial com os seus apparatchiks em benefício das respectivas clientelas.

"Eleições faz de conta". Quem não tem cão caça com gato e talvez o gato consiga caçar. Mas será que o gato caça o bicho certo?

Continuação de "Eleições faz de conta". Quem não tem cão caça com gato. Mas será que o gato consegue caçar?

Pela primeira vez nos quatro anos de liderança do Dr. Rio, o PSD está à frente do PS com 1 pp nas últimas sondagens da CNN. O facto é tão inédito que não pode ser ignorado, apesar das reservas quanto à metodologia da Pitagórica, à dimensão da amostra e à percentagem de indecisos. A má notícia é que se fossem estes os resultados uma coligação do PSD só teria mais votos do que uma geringonça ressuscitada com o apoio do Chega. 

Isso talvez signifique que o PSD do Dr. Rio pode ganhar as eleições o que é definitivamente muito menos mau do que a eleições serem ganhas pelo PS do Dr. Costa ou de outro qualquer, com ou sem geringonça. Mas as ideias do Dr. Rio não passam a ser boas pelo facto dele poder ganhar as eleições, sendo certo que a política é a arte do possível, como dizia o Otto von, que também disse outras coisas como comparar os parlamentos a fábricas de salsichas.

22/01/2022

Numa democracia defeituosa o chefe escolhe os deputados. Numa democracia funcional os deputados escolhem o chefe (2)

Continuação de (1)

Ainda antes de estar concluído o inquérito de Sue Gray, Second Permanent Secretary to Cabinet Office ao "partygate", inquérito cujas conclusões podem mandar Boris Johnson para reforma, um número indeterminado mas pelos vistos significativo de deputados está a entregar cartas de "não confiança" ao presidente do Comité 1922 (o equivalente aos nossos grupos parlamentares).

O que explica a rebelião desses deputados, muitos deles antes fervorosos apoiantes de BoJo, eleitos em 2019 pelas circunscrições das Midlands e do Norte conquistadas ao Partido Trabalhista, são as recentes sondagens que mostram o desagrado dos eleitores tradicionalmente trabalhistas pelo governo conservador (muito devido aos escândalos e ao estilo errático e fanfarrão de BoJo) prenunciando que em novas eleições esses lugares poderão ser perdidos. 

É a diferença entre um sistema onde os deputados dependem dos eleitores e elegem os líderes, como no Partido Conservador ou participam num colégio eleitoral como no Partido Trabalhista, em contraponto a um sistema, como o do Portugal dos Pequeninos, onde os deputados dependem dos líderes.

21/01/2022

Dúvidas (329) - À custa de querer parecer outros, ainda saberá ele, o homem-elástico, quem é? (4)

Continuação de (1), (2) e (3)

O Dr. Costa em 2015 assinou um papel com o PCP, o seu anexo verde e o Bloco de Esquerda e ainda há dois anos se vangloriava de que «o fim da incomunicabilidade entre as forças de esquerda em Portugal (de que ele foi o autor) eliminou o último vestígio que havia do Muro de Berlim. Foi uma conquista muito importante para a democracia portuguesa».

Por inacreditável que pareça, o mesmo Dr. Costa queixa-se agora que o chumbo do OE 2022 dos mesmos PCP e BE que lhe «cortaram as pernas» é «imperdoável» e classifica o PS que ele aliou à extrema-esquerda como «o partido do bom senso, da responsabilidade, do diálogo, da concórdia nacional que no PREC evitou a confrontação. E na pandemia soube unir o país». 

O Dr. Costa não tem um pingo de vergonha e até para ele é demasiado desaforo. O Dr. Mário Soares que nunca foi um modelo de coerência deve ter dado saltos na tumba.

20/01/2022

As teorias da conspiração alimentam-se das improbabilidades

Uma espécie de continuação de A pandemia como campo de batalha de crenças quase religiosas.

A pandemia, como todos os eventos geradores de pânico, é um domínio por excelência para construir teorias da conspiração, a começar pelas suas origens, que vão desde uma maquinação/acidente com arma biológica dos EUA/China/Rússia/... até às ondas do 5G, a tecnologia da quinta geração para redes móveis e de banda larga, esta última uma criação de D. Jelena Djokovich, esposa do tenista com o mesmo nome.

Ainda no mesmo domínio, as teorias da conspiração continuam em relação às medidas tomadas a pretexto da pandemia, muitas vezes baseadas casos extremamente improváveis a que os mídia geralmente dão relevo baseados no conhecido princípio de que notícia não é um cão morder um jornalista mas um jornalista morder um cão.

Lembrei-me disto ao ler ontem duas notícias: (a) uma cantora checa, para evitar ser vacinada, expôs-se deliberadamente ao contágio para obter um certificado de recuperação, foi infectada e acabou por morrer; (b) um garoto de 6 anos com a primeira dose de vacina e teste positivo morreu no hospital por causas ainda não determinadas. 

No primeiro caso, os paranóicos da vacinação, borrifando-se para o facto de a vacina apenas preparar o sistema imunitário e reduzir a probabilidade de morrer da Covid, gritarão "ó rejeccionistas estão a ver o que faz não se vacinarem?" No segundo, os "rejeccionistas", borrifando-se para o facto de até agora só terem morrido 3 crianças com menos de 9 anos e nenhuma delas vacinada, gritarão "ó maluquinhos das vacinas estão a ver o que faz ser vacinado". 

E, portanto, é isto. Feitas as contas, receio que as criaturas cépticas, com um módico de bom senso e não prosélitos de nenhuma dessas crenças constituam uma insignificante minoria.

19/01/2022

"Eleições faz de conta". Quem não tem cão caça com gato. Mas será que o gato consegue caçar?

Sondagem das Sondagens - Rádio Renascença

O diagrama acima compara os resultados das eleições de 2019 com a média das últimas sondagens da Pitagórica, Aximage, CESOP/UCP, ICS/ISCTE e Intercampus. Mais de 2 anos depois das últimas eleições, as intenções de votos no PSD aumentaram praticamente o mesmo das do PS. 

Sob reserva de que sondagens são sondagens e, como se viu nas eleições autárquicas, falham decisivamente, se o PSD, depois de quatro anos de liderança do Dr. Rio, está a 8 pp do PS com um governo desgastado por 6 seis anos no poder e vários pp abaixo do resultado das eleições de 2015 conseguido por um PSD desgastado por quatro anos de governo a resgatar um Estado falido, temos de concluir que o Dr. Rio não é obviamente o cão que o PSD precisa e está longe de demonstrar que é um gato que saiba caçar.

Lost in translation (358) - A mentira é o contrário da verdade e a mentira estúpida é o contrário da mentira inteligente

Spectator 

Desta vez, para traduzir não precisei do web bot de AI com machine learning baseada numa Neural Network com acesso a servidores de Big Data. A Spectator adiantou-se a traduziu assim o bullshit de BoJo:

«No one told me I was in charge»

18/01/2022

TRIVIALIDADES: A socorrer as vítimas de acidentes, como no resto, o Estado sucial é ineficiente (e provavelmente ineficaz)

Uma vez outra, reparo que nas notícias sobre acidentes são mencionados sempre "operacionais" e viaturas que "estiveram no local". A olho, os números de uns e outros sempre me pareceram excessivos mas, desta vez, resolvi tirar as coisas a limpo e, para os leitores do (Im)pertinências não pensaram que aqui também se pratica o palpite e se sofre da maldição da tabuada, fiz a pesquisa «feridos acidente operacionais viaturas site:pt» e encontrei na última semana os seguintes acidentes:

Nestas matérias, como em todas as outras, os apparatchiks que pululam no Estado sucial queixam-se sempre de "falta de recursos". Feitas as contas, em 13 acidentes com 37 vítimas "estiveram no local" 185 "operacionais" e 76 viaturas, a uma média de 5 "operacionais" e 2 viaturas por vítima.

17/01/2022

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (120) - A Passarola Afundada (XII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O Dr. Costa não ofende a verdade porque não se aproxima dela o suficiente para lhe causar danos

Por falta de espaço, não é costume nestas crónicas tratar das mentiras que a classe política avia a um eleitorado ignaro e distraído. Abro uma excepção e cito duas do Dr. Costa no debate com o Dr. Rio: ter baixado o peso dos impostos no PIB, afirmação que até o Avante da Sonae desmentiu, e ter nacionalizado a TAP para evitar a sua falência porque a Azul do accionista David Neeleman estava falida, o que é falso.

Take Another Plan

Nos tempos do governo do Sr. Eng. Sócrates, o amigo do Dr. Costa Dr. Lacerda Machado, na qualidade de administrador da Geocapital intermediou a compra em 2005 no Brasil da Varig Engenharia e Manutenção, hoje uma empresa participada da TAP que a Comissão Europeia obrigou a vender.

É um mono que segundo o Dr. Pedro Nuno Santos terá custado até agora quase mil milhões de euros à TAP, e que se estima irá ainda custar mais 110 milhões, milhões que o mesmo Dr. Pedro Nuno classifica de «uma brutalidade». Perguntarão, como assim? quase mil milhões em 16 anos? então o Dr. Santos não torrou na TAP mais de dois mil milhões em apenas um ano e meio e já prometeu continuar com 1.200 milhões? Pois foi, mas ele é uma pessoa modesta e prefere salientar obra dos seus antecessores.

Recorde-se que depois do dinheiro que lá enterrou, o Dr. Pedro Nuno anunciou sem se rir que no futuro a TAP deve integrar-se num grande grupo de aviação e, também sem se rir, o Dr. Costa no debate com o Dr. Rio prometeu vender 50% do capital.

Ex-ministro absolvido por ser um «cidadão médio normal»

Se a incompetência, a desfaçatez ou o ridículo fossem mortais o Dr. Azeredo Lopes teria falecido logo no dia da sua entrada como ministro da Defesa numa instalação militar, entrada que aconteceu pela primeira vez por ter sido dispensado do Serviço Militar Obrigatório (pé chato?). Como sobreviveu à comédia de Tancos, poderia ao menos ter sido condenado pelas acusações que o MP lhe fez sobre o papel que lá desempenhou. Não foi por várias razões, incluindo por ter lido mas não ter entendido um memorando e uma "fita do tempo" que o tribunal considerou ser difícil de entender para um «cidadão médio normal».

Ex-ministro reconhece que governo de Sócrates deu uma «resposta insuficiente» à crise

O ex-ministro em causa é o Dr. Teixeira dos Santos que numa entrevista à RTP3 reconheceu mais de 10 anos depois que o governo do qual foi ministro das Finanças deu uma «resposta insuficiente» à crise e agora acha «que o país ficou mais robusto após a troika».

16/01/2022

Numa democracia defeituosa o chefe escolhe os deputados. Numa democracia funcional os deputados escolhem o chefe

The Spectator

Numa democracia avariada o Dr. Costa e o Dr. Rio afastam os candidatos a deputados em quem não confiam e escolhem os candidatos amigos.

Numa democracia funcional, o líder do partido e primeiro-ministro é escolhido pelos deputados eleitos. 

Numa democracia avariada se o primeiro-ministro organiza uma festa com os seus próximos na residência oficial violando as regras do confinamento, isso é lá com ele.

Numa democracia funcional se o primeiro-ministro organiza uma festa com os seus próximos na residência oficial violando as regras do confinamento isso é com o parlamento e os deputados do seu partido. E mesmo que o primeiro-ministro peça desculpa ao parlamento, o funcionário público responsável por verificar o cumprimento do código de conduta dos membros do governo irá fazer um inquérito.

É o que está a acontecer em Westminter em que Sue Gray, Second Permanent Secretary to Cabinet Office, a funcionária pública que já mandou três membros do governo para a reforma por conduta inadequada, iniciou um inquérito que pode muito bem levar à demissão do primeiro-ministro Boris Johnson e de outros membros do governo que em Maio do ano passado estiverem numa festa nos jardim do 10 Downing St a beber uns copos. Se assim for, o novo líder dos tories e primeiro-ministro será eleito pelos respectivos deputados.

15/01/2022

A arte de bem titular toda a notícia (4)

No dia 10 o INE publica o Destaque com o seguinte título Exportações e importações aumentaram 15,7% e 32,3%, em termos nominais - Novembro de 2021, onde informava que o resultado desses aumentos foi o agravamento do défice da balança comercial: 
O défice da balança comercial de bens aumentou 1 162 milhões de euros face ao mês homólogo de 2020 (aumentou 389 milhões de euros em relação a novembro de 2019), atingindo 2 097 milhões de euros em novembro de 2021.
O défice da balança comercial tem sido um problema crónico na economia portuguesa contribuindo para o endividamento face ao exterior. Num curto período durante o governo "neoliberal" o défice diminuiu para voltar a aumentar com o governo socialista e se diminuiu em 2020 foi pela redução das importações resultante da queda da procura de bens durante a pandemia.  


Dito isto e concluindo-se que os factos relevantes são um aumento das importações superior ao das exportações e o consequente agravamento do défice comercial, veja-se como os diferentes jornais titularam os mesmos factos relatados pelo INE:
Repare-se que dois jornais fazem de porta-vozes do ministro, um apenas titula o aumento das exportações e um único jornal (o DN) sublinha o facto mais relevante que é o agravamento do défice.

14/01/2022

Dúvidas (328) - Ficarão os devotos de Trump como os Tupis do Padre Anchieta?

«President Trump on Vaccines: From Skeptic to Cheerleader

He once blamed vaccines for autism. Now he’s demanding the quick development of one for the coronavirus, but shows limited understanding of the science.» (NYT

«Former President Donald Trump was booed by a portion of an audience in Dallas on Sunday when he said he had received a Covid-19 booster shot, according to video of the closed press event that was shared on social media.» (CNN)

 «"Well, I’ve taken it. I’ve had the booster,” Trump said in the interview. “I watched a couple of politicians be interviewed and one of the questions was, ‘Did you get the booster?’ .... And they, ‘Oh, oh,’ they’re answering it — like in other words, the answer is ‘Yes,’ but they don’t want to say it. Because they’re gutless.”» Donald Trump em entrevista ao canal conservador One America News Network (abc news)

[Corria o ano de 1554, num certo dia, numa breve parada, após longa, acelerada e extenuante caminhada para Reritiba à frente dos Tupis que lhe carregavam as trouxas, o Padre Anchieta deu-se conta que os índios, sentados sobre as suas tralhas se recusavam a recomeçar. Perguntando-lhes o porquê, explicaram-se os Tupis, com grande soma de pachorra, que na rapidez da caminhada a alma lhes tinha ficado para trás e tinham precisão de esperar por ela.]

Conseguirão os devotos de Trump acompanhar a sua extenuante caminhada ou ficarão como os índios Tupis na estória do Padre Anchieta?

13/01/2022

DIÁRIO DE BORDO: Estórias do outro mundo (6) - Um telefonema de Melmac sobre prisão perpétua e castração química

Outras estórias do outro mundo: (1), (2), (3), (4) e (5)

Conheci Alf, aka Gordon Shumway, em pessoa (se é que "pessoa" é aplicável a um natural de Melmac) no Verão de 2002, quando ele passava férias com os Tanners na Quinta da Balaia. A primeira vez que o vi teria uns 245 anos e corria atrás de um gato, um dos muitos que lhe atribuíram ter comido nas redondezas.

Depois disso Alf ligou-me algumas vezes através do Skype, que em Melmac se chama Skalpe, sobre vários temas do Portugal dos Pequeninos que ele acompanha regularmente através do Holomac (o canal de TV por holograma de Melmac). O seu último contacto foi a pretexto do reviralhismo, uma doença julgada extinta e epidémica nos tempos do doutor Salazar, de que sofreu o Dr. Mário Soares durante a intervenção da troika, síndrome que, segundo Alf, seria explicada pela manipulação da mente do Dr. Soares durante o alegado rapto em 2014 por uma civilização avançadíssima do planeta Kepler-186f.

Desta vez o telefonema de Alf foi sobre a campanha eleitoral em curso que ele tem acompanhado nos resumos de um programa do Holomac dedicado às civilizações primitivas de outras galáxias. Alf estranhou não se discutirem ideias sobre envelhecimento da população, sustentabilidade do sistema de pensões, crescimento económico, baixa produtividade, carga fiscal, corrupção e o peso crescente do Estado. Ele entendeu que os temas principais da campanha eram a prisão perpétua, que ele sabia ter sido abolida há mais de 130 translações, e a castração química dos pedófilos. Lá tentei explicar, sem sucesso, que para os partidos domésticos essas são questões vitais, mas ele arrumou um assunto com uma pergunta "porque não eliminam os dois problemas repondo a pena de morte?", acrescentando "de uma cajadada matam dois gatos".

12/01/2022

Dúvidas (327) - À custa de querer parecer outros, ainda saberá ele, o homem-elástico, quem é? (3)

Continuação de (1) e (2)

«Tenho acompanhado os debates e o meu destaque vai para António Costa. O primeiro-ministro está em grande forma. Seja quem for o adversário, encontra o ponto fraco de cada um e não larga. Com Jerónimo de Sousa, Costa é um responsável estadista das contas certas, que reprova a imprudência da extrema-esquerda. Com André Ventura é a La Pasionaria de São Bento, último reduto anti-fascista. Com Inês Sousa Real é um pragmático ambientalista, contra as utopias bucólicas do PAN. Com Francisco Rodrigues dos Santos é um progressista e compassivo homem de esquerda, face à tacanhez conservadora. Com Rui Tavares é um garante da solidez governativa.

Aposto que hoje, com Catarina Martins, vai ser o político consciente que não sacrifica o equilíbrio orçamental em troca de medidas populistas, e na quinta-feira, com Rui Rio, o político humanista que não sacrifica as pessoas em troca de equilíbrio orçamental. Ainda vai conseguir culpar Catarina Martins pelas eleições antecipadas. E colar Rui Rio, que sempre foi crítico da PAF, a Passos Coelho, ao mesmo tempo que consegue evitar que se fale do facto de ter sido número dois do Governo Sócrates, que conduziu o país à bancarrota e chamou a troika.

António Costa é uma espécie de canivete suíço político. Tem um truquezinho para lidar com cada situação. Desde o tempo em que traiu António José Seguro ou que passou a não falar em José Sócrates, que se sabia que Costa tem duas caras. Mas agora, no espaço de uma semana, vimos que afinal tem mais meia-dúzia. O mais impressionante é que é credível com qualquer uma delas. Sempre ouvi dizer que os opostos se atraem, mas não sabia que era possível reunirem-se na mesma pessoa. Costa é o Tom e o Jerry, o Lennon e o McCartney, o Bucha e o Estica, tudo amalgamado. Quando o adversário é extremista, Costa é moderado. Quando é utópico, ele é realista. Quando o opositor é de direita, Costa é paladino da igualdade. Quando é de esquerda, Costa pugna pela liberdade. E tem sempre defesa para qualquer ataque que lhe façam sobre os 6 anos em que governou. Como um camaleão, que se adapta ao ambiente para sobreviver, António Costa também se farta de dar à língua. No fundo, tem dupla face como aquela fita-adesiva que cola dos dois lados: para ganhar, tanto se pode juntar à esquerda, como à direita.»

José Diogo Quintela no Observador