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10/12/2012

O problema da corrupção não é só moral (3)

No ranking do Corruption Perceptions Index (CPI) da Transparency International fomos o 32.º país (score 6,1) em 2008, o 35.º em 2009 (score 5,8), o 32.º (score 6,0) em 2010, o 32.º em 2011 (score 6,1) e o 33.º em 2012 (score 6,3). Ou seja, apesar de alguma melhoria no score estamos hoje em termos relativos pior do que estávamos há 5 anos, naturalmente porque vários outros países reduziram a sua corrupção.


É significativo que alguns países africanos nos tenham ultrapassado e estarmos na cauda da U.E. Sem surpresa, verificamos que em 2012 os nossos piores scores são no sigilo financeiro, na transparência do orçamento e na independência judicial.

Como já por aí escrevi, se a corrupção fosse grave apenas por razões morais e éticas já seria mais do que suficiente para merecer a nossa atenção. Mas não é grave só por isso. É igualmente grave porque a corrupção é um factor de distorção do racional das escolhas económicas, que passam a ser feitas, não com base dos benefícios líquidos previstos, empresariais ou públicos, que delas se esperam que resultem, mas com fundamento no interesse de pessoas ou grupos que não têm legitimidade para intervir nessas escolhas.

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