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13/12/2012

ESTADO DE SÍTIO: Reindustrialização, dizem eles (2)

Mais um exemplo daquela lei de Murphy que nos ensina que quando o pior pode acontecer, acontece. Escrevi no post anterior que, na pior hipótese, a carta aberta dos ministros da economia podia dar uma espécie de PIC, ou seja uma PAC para a indústria, ou uma reincarnação dos planos quinquenais do Comecon.

O ionline premonitoriamente anuncia que em resultado da iniciativa do Álvaro, «Portugal vai ter um plano de fomento industrial» e recorda que o primeiro foi cozinhado pelo Botas em 1958 e o último por Marcelo Caetano dez anos depois. Acrescenta que vai ser criado um conselho industrial com um «grupo de sábios» que vai estabelecer «a estratégia de industrialização (a anunciar em Fevereiro), mas que também acompanhe a sua implementação».

Pior é difícil. Note-se que não estou a avaliar esta coisa do ponto de vista da ortodoxia liberal. Posso ser liberal pragmático, mas não sou ortodoxo, nem lunático. Percebo perfeitamente que os delírios liberais neste país não passam de … delírios. A questão é muito mais prosaica. A coisa simplesmente não funcionará. Não funcionou na época e não vai ser agora porque não há dinheiro para «doar» aos industriais. Se houvesse, funcionaria como torrefacção do dinheiro extorquido aos sujeitos passivos, como no passado. Com uma diferença: desta vez os sujeitos passivos alienígenas não irão entrar com a massa e terão (teriam) de ser os aborígenes a pagar a festa do seu bolso.

Valha-me nossa Senhora. Um sujeito que aparentava dispor de uma costela não estatizante está a transmutar-se num adepto dos planos de fomento… Ainda vai ser aplaudido pelos comunistas que quando ouvem falar de planos de fomento salivam de excitação.

Como se estas confusões não fossem suficientes, o Álvaro, agora transformado em vedeta mediática, expressa-se com tal falta de rigor que autoriza o jornalismo de causas a fazer títulos como este «Santos Pereira: "Salários em Portugal são demasiado baixos"», como se os salários fossem baixos por castigo divino ou de Frau Merkel e não pela produtividade miserável que por aqui se consegue.

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