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Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

16/03/2017

Pro memoria (338) - Eles pensam que nós somos completamente estúpidos (e têm geralmente razão)

«Se me tivesse dado uma palavrinha que fosse que eu deveria sair, pode crer que eu o fazia na hora» disse Ricardo Salgado à SIC ao perguntarem-lhe se Carlos Costa lhe deveria ter retirado a idoneidade mais cedo, confirmando assim o seu desapego ao poder de que todos já suspeitávamos há muito.

«Nós não anunciámos o fim da austeridade, (…) anunciámos um período novo de esperança» disse ao parlamento o ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes, desmentindo de uma assentada toda a propaganda do seu chefe Costa desde que em Novembro de 2014 expulsou o usurpador Seguro e assumiu as rédeas do PS.

Vieira da Silva, Ministro da Segurança Social e tutela da associação mutualista Montepio «confrontado com (...) uma situação líquida negativa de 107 milhões de euros, afirmou desconhecer os números» dando assim um exemplo de proactividade a Carlos Costa que no BdP tem andado a dormir na forma. (Observador)

Centeno, o ministro das Finanças, mostrando um enorme sentido de responsabilidade e de respeito pela esfera privada, opôs-se à revelação dos créditos malparados da Caixa (La Seda, Pescanova, Vale do Lobo, etc. - um grande ETC. onde se sumiram milhares de milhões) porque, explica na contestação à decisão do Tribunal da Relação de Lisboa que essa revelação «pode assumir consequências sistémicas de dimensão difícil de determinar (e implicaria ainda) uma quebra de confiança irreversível num negócio que assenta nesse pressuposto». Bendita Pátria que tens filhos destes que percebem que o segredo é a alma do negócio e velam pelas nossas instituições.

Entretanto, o presidente da República dos Afectos, tirando partido da sua enorme experiência económica, colocou o chapéu de investidor emérito e desdobrou-se ontem em declarações e produção de factóides confidenciando que «teve dificuldades em convencer empresários a investir em Portugal». Isso foi ao princípio, porque agora os investidores nacionais e estrangeiros acotovelam-se na bicha para investir, o investimento bate todos os recordes e, sobretudo o externo, «mudou muito apreciavelmente». Mostrou assim que os investidores não são muito diferentes do bom povo português que com uma dúzia de selfies por dia e duas dúzias de comentários vêem renas, o Pai Natal e acreditam que vivem na Noruega. Que nenhuma criatura do governo neoliberal anterior se tenha lembrado disto só mostra que não mereciam tirar o lugar da geringonça.

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