Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

23/03/2017

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (34)

Outras preces.

O BCE admitiu no seu boletim económico de Março que em Maio poderá ser iniciado o procedimento de desequilíbrio excessivo em relação à Itália, a Chipre e a Portugal se não apresentarem políticas correctivas até Abril.

Podemos não estar de acordo com o BCE, mas o certo é que os três países assumiram compromissos de adoptar reformas e estão a fugir com o rabo à seringa. Se as não queriam adoptar não se deveriam ter comprometido o que teria implicado não ter acesso ao programa de compra de dívida pública.

Como deveria reagir um presidente da República de um desses três países a este aviso do BCE? Como nenhum deles tem poderes executivos, a atitude mais recomendável seria ficar calado. Evidentemente isso é muito difícil para pelo menos um deles. Não conseguindo calar-se, estaria no limite do admissível lamentar a posição do BCE ou contar uma estória qualquer sobre as agências de rating ou a economia de casino ou o neoliberalismo.

Não foi essa a escolha do presidente Marcelo que reagiu perguntando «o que é que Vítor Constâncio está lá a fazer?». Colocou-se assim ao nível do presidente da junta de freguesia de Belém, por exemplo um socialista, a quem a câmara de Lisboa por exemplo não aumentou o orçamento, perguntando por exemplo o que é que o Fernando Medina está lá a fazer?

Imaginemos Sergio Mattarella, o presidente italiano, também sem poderes executivos, a perguntar o que é que Mario Draghi está lá a fazer? Seria ridículo, não é verdade? Certamente, mas apesar de tudo menos ridículo porque o Mario "dele" foi capaz de garantir que «the ECB is ready to do whatever it takes to preserve the euro» enquanto o "nosso" Vítor continua a ser o mesmo verbo de encher que foi à frente do BdP.

Se o ridículo fosse mortal, não teríamos este presidente da República e, se tivéssemos, já teria tido havido novas eleições poucos dias depois da tomada de posse. A sorte dele (e o nosso azar) é que ninguém o ouve para lá de Badajoz.

1 comentário:

Anónimo disse...

o Marcelo ta tata.