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07/04/2016

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (133) - O social-trauliteirismo (ACTUALIZADO duas vezes)

João Miguel Tavares evocou aqui quatro momentos notáveis do socialismo trauliteiro ou social-trauliteirismo, que para memória futura reproduzo outra vez:
  • «Ó sô guarda, desapareça» - Mário Soares em 1993 - talvez o momento fundador do social-trauliteirismo,
  • «Quem se meter com o PS leva!» - reacção em 2001 do grande estradista Jorge Coelho a uma bastonada no governo socialista do então bastonário dos advogados António Pires de Lima, a propósito da política de justiça do então ministro António Costa. 
  • «Eu cá gosto é de malhar na direita» - declaração pouco diplomática de Augusto Santos Silva, actual ministro dos Negócios Estrangeiros, em 2009, no governo do outro grande trauliteiro e animal feroz José Sócrates. 
  • «A todos os títulos lamentável» - declaração de António Costa a respeito de Carlos Costa a quem exigiu uma «posição responsável». 
  • «Um disparate total», «condenável», «inaceitável», «devia tirar as devidas consequências» - declaração de João Soares a respeito de António Lamas, presidente do CCB. 
Cesse tudo quanto as antigas musas cantam, salvo a última que agora cantou de novo. João Soares prometeu esta manhã não uma, não duas, mas quatro bofetadas divididas aos pares: um par a Augusto M. Seabra e outro a Vasco Pulido Valente. João Soares, depois de um tímido começo a propósito do CCB, ultrapassa tudo e todos e fica como um marco na história do social-trauliteirismo.

Actualização:
Já não fica. Depois de uma entrada de leão, João Soares tem uma saída de sendeiro: «sou um homem pacífico, nunca bati em ninguém. Peço desculpa se os assustei.» Pacífico não sabemos. Bazófias sem dúvida. E também, até agora, um político sem coragem de tirar as consequências das enormidades que disse e pedir a demissão de ministro da Cóltura. Vamos ver se o fará e, se o não fizer, vamos ver o que fará o chefe da geringonça.

Segunda actualização:
João Soares teve a coragem de tirar as consequências das enormidades que disse e pediu a demissão. Errou no tempo e perdeu a oportunidade de tê-lo feito antes de e em vez de pedir desculpas mal amanhadas. Começar por pedir desculpa por tê-los assustado e a seguir justificar a demissão por não «prescindir do direito à expressão da opinião e palavra» não lembra a um careca. É pior a emenda do que o soneto.

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