Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

07/04/2016

DIÁRIO DE BORDO: «m'espanto às vezes, outras m'avergonho»

Citando, a propósito de algumas notícias soltas, Sá de Miranda apud Abrupto - agora que o proprietário anda distraído com a Fundação de Serralves e abandonou o blogue às urtigas.

O Podemos, um movimento criado em Espanha como alternativa aos partidos incumbentes corroídos pela corrupção, nasceu do Centro de Estudos Políticos e Sociais uma organização financiada pela clique chávista em mais de 7 milhões de euros entre 2003 e 2011 «para criar forças políticas bolivarianas em Espanha». M'espanta só um poucochinho.

O presidente dos afectos professor Marcelo explicou, num dos 325 eventos em que participou desde que foi entronizado, que o convite a Mario Draghi se justifica porque «é bom que o Presidente do Banco Central Europeu tenha a noção exacta daquilo que se passa em Portugal». Infelizmente não partilho da esperança do presidente e receio que se Mario Draghi vier a ter essa «noção exacta» quando voltar a Frankfurt mande fechar a torneira ainda antes da DBRS cortar um rating notch a Portugal. Não sei se m'espanto, se m'avergonho.

Segundo o estudo «A Fraude Académica no Ensino Superior em Portugal», citado pelo Expresso, a maioria dos alunos universitários copiam ou deixam-se copiar ou usam cábulas ou fazem tudo isso ao mesmo tempo. Ainda segundo o estudo, os mais ricos são os mais cábulas. Esta não m'espanta só m'avergonha.

A propósito dos Papéis do Panamá, a eurodeputada do PS Elisa Ferreira disse em entrevista ao Público «precisamos de dar um salto na ética em matéria de impostos». M’espanta que esta senhora deputada seja a mesma que, quando se candidatou em 2009 ao lugarzinho em Bruxelas, e explicou aos velhinhos do lar que visitou na qualidade de candidata às autárquicas «vou só dar o nome e volto» e lembrou que os bairros pintados pela vereação de Rui Rio o foram com «o dinheiro (que) é do Estado, é do PS».

Sem comentários: