Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

16/04/2016

ACREDITE SE QUISER: A coisa e o coiso

A associação de patetas esquizofrénicos que dá pelo nome de Bloco de Esquerda, à míngua de temas fracturantes ainda disponíveis, em vez de, por exemplo, defender em colaboração com o PAN a legalização da união de facto inter-espécies, propôs no parlamento um projecto de resolução para alterar o nome do documento de identificação de Cartão de Cidadão, que «não respeita a identidade de género de mais de metade da população portuguesa», para Cartão de Cidadania.

É falta de ímpeto revolucionário e, sobretudo, de imaginação. Com um campo tão vasto por desbravar, vão cair na burocracia mais rasteira. Por exemplo, por que diacho «coisa» há-de ser feminino, não respeitando a identidade de género de quase metade da população portuguesa. Afinal é um dos substantivos mais usados (8 milhões de ocorrências na pesquisa Google) em português, perdão, na língua portuguesa, para designar aquilo, masculino ou feminino, cujo nome não nos lembramos? Porque não usar «o» coiso (umas míseras 41 mil de ocorrências na pesquisa Google), quando aquilo que esquecemos é masculino? Tanto mais que, segundo os dicionários, quer «o» coiso, quer «a» coisa, são usados para designar «o coiso».

E se lançássemos uma petição para os berloquistas crescerem, tratarem-se deixarem de «coisar» o juízo dos portugueses, perdão, das pessoas portuguesas?