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01/07/2012

CASE STUDY: Desalavancagem da dívida das famílias

Recentemente a McKinsey publicou um estudo sobre a desalavancagem da dívida das famílias em seguida à crise do subprime. O gráfico seguinte evidencia os diferentes ritmos de desalavancagem e destaca a experiência histórica da Suécia que reduziu de 32 pontos percentuais o rácio de dívida em relação ao rendimento disponível nos 7 anos seguintes a 1998.

Fonte: McKinsey Quartely

É interessante comparar com o que se passa em Portugal. Segundo os dados do BdP, a dívida de particulares, empréstimos para a habitação na sua maioríssima parte, continuou a aumentar até 2010, mais de 3 anos depois de despoletada a crise do crédito subprime. O gráfico seguinte mostra que a desalavancagem começou tarde (o ponto de viragem foi em Dezembro de 2010) e no 2.º ano em 2011 a redução do rácio dívida/rendimento disponível era pouco superior a 3 pontos percentuais.

Fontes: Dívida de Particulares, Banco de Portugal (ano 3 = 2012, estimativa); Rendimento Nacional Disponível (Pordata)
Se admitirmos para este ano uma redução de 1% do rendimento disponível e uma redução da dívida ao ritmo verificado até Abril (último mês disponível dos dados do BdP), a redução deste rácio irá acelerar e será no final deste ano cerca de 7 pontos percentuais, mais alta do que a Espanha, em linha com o Reino Unido, mas abaixo da desalavancagem nos EU e uns 15 pontos percentuais abaixo da sueca no final do 3.º ano.

Conclusão: a desalavancagem da dívida das famílias começou tarde em Portugal, no trimestre em que Sócrates sucumbiu à troika, mas está em aceleração. Os queixinhas das «folgas» e do «não aguentamos mais austeridade» deveriam revisitar a experiência do Partido Social Democrata sueco liderado na época por Göran Persson (um dias destes vou citar uma entrevista do homem) para enfrentar a crise de 1998.

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