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26/10/2011

DIÁRIO DE BORDO: Pensando em voz alta (antes da cimeira)

Há duas saídas mais prováveis para a crise financeira e institucional da UE:
  1. O desmantelamento desordenado da Zona Euro ou pelo menos a saída dos P?GS (o “I” pode ser preenchido pela Itália em vez da Irlanda), com consequências económicas e financeiras catastróficas para Portugal;
  2. Um governo económico e financeiro europeu, com alteração dos tratados cozinhada às escondidas dos eleitorados, a consequente alienação de soberania e a prazo prováveis consequências políticas catastróficas para a Europa (para Portugal é igual ao litro) e o possível desmantelamento da União no seu caminho abortado para Federação.
Há uma improvável terceira saída que requeria clarividência, firmeza e paciência inexistentes, baseados no reconhecimento lúcido da inviabilidade da união monetária, consistindo no desmantelamento gradual e controlado da Zona Euro e a regressão da União Europeia à Comunidade Europeia, isto é ao mercado comum, com livre circulação de pessoas, bens e capitais.

Este último desfecho é provavelmente o preconizado in private pelo pragmatismo british que sempre desconfiou, e com razão, das «construções europeias» inventadas por uma eurocracia que ninguém elegeu. Se essas soluções não funcionaram bem num período excepcional de crescimento, resultante do esforço e na demografia dinâmica da geração da guerra, imagine-se num período de decadência demográfica, baixo crescimento e moleza civilizacional. Essas «construções» valem hoje menos do que construções na areia e não passam de história.

Por falar em decadência demográfica: hoje os jornais informam-nos que em Portugal temos actualmente a segunda taxa de fecundidade mais baixa do mundo. Percebe-se que os portugueses esperam que os brasileiros mandem mais ouro e os angolanos mais petróleo para pagar as suas reformas, já que os seus filhos e netos não vão poder fazê-lo e os europeus também não.

ACTUALIZAÇÃO: Acabei de rever o notável discurso do dia 28 de Setembro do liberal checo Jan Zahradil, líder do grupo parlamentar europeu ECR (European Conservatives and Reformists) em resposta ao discurso do Estado da União de Barroso. Neste discurso Zahradil faz a demolição em 6 minutos da solução barrosista, basicamente a 2.ª saída que referi no princípio deste post.

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