Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

09/10/2011

ARTIGO DEFUNTO: Défice de numeracia

«Ora, convém recordar algumas evidências: o endividamento da Madeira é três vezes superior, em percentagem, ao do país», escreveu Miguel Sousa Tavares (MST) na sua crónica no Expresso.

Não se sabe qual das 3 seguintes versões de dívida da Madeira MST usou para o seu cálculo:
  1. Versão Bokassa 5,8 mil milhões
  2. Versão Gaspar 6,3 mil milhões
  3. Versão líder do PS dívida oculta superior a mil milhões de euros ou seja dívida total 6,8 mil milhões.
Vamos supor que foi a maior. Também não se sabe qual a base de MST para calcular as percentagens. Vamos supor que foi o PIB de 2010. No caso da Madeira são 5,1 mil milhões, pelo que a dívida segundo o Tozé, representaria 133% do PIB regional.

Chegados aqui, sabendo-se que o PIB português de 2010 foi 167,5 mil milhões e que um terço de 133% é 44,3%, segundo as contas de MST só devemos, tudo por junto e arredondado para cima, uns 80 mil milhões. Ficamos assim a saber uma de duas coisas:

  • Estamos safos, porque MST nas suas deambulações pelas catacumbas das contas públicas descobriu que a maior parte da alegada dívida é falsa e devemos muito menos do que os mais de 160 mil milhões que o governo pensa que devemos, sem contar com a dívida das empresas públicas (quase 40 mil milhões) e das autarquias (umas dezenas de milhares de milhões);
  • Continuamos lixados e ficámos a saber, ao contrário do que muitos supunham, que a maldição da tabuada já nos perseguia na época em que MST fez a sua primária - algures na segunda metade dos anos 50, segundo as contas de uma criatura que fez a primária meia dúzia de anos antes.

Sem comentários: