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16/10/2011

DIÁRIO DE BORDO: A maldição da tabuada (outra vez)

Porquê os «indignados» estão indignados? A acreditar no que eles dizem, o que requer alguma fé, estão indignados por não terem emprego. Se fossem sinceros diriam que poderiam bem continuar a viver sem trabalhar, o lhes faz falta é a grana.

E porque não têm emprego? Talvez por não saberem fazer nada que alguém esteja disposto a pagar para ser feito. Dito assim, de repente, pode parecer uma provocação reaccionária. Pode mas não é. Ou melhor, apesar de reaccionária, não é provocação. Vejamos mais de perto.

Na manifestação de ontem, segundo a organização e a imprensa amiga portuguesa  estiveram 100 mil indignados. Segundo El País, terão sido 12 mil ou 25 mil (segundo a versão da organização para El País) ou 30 mil (segundo a versão do Público do que teria sido a versão do El País), mas também poderão ter sido 50 mil.

O que indicia esta disparidade de estimativas de manifestantes variando entre 12 mil e 100 mil? Indicia problemas de numeracia, dificuldades com a aritmética, quer dos manifestantes quer dos jornalistas old fashioned quer dos jornalistas de causas (supondo que é possível distinguir entre uns e outros). Não será a maldição da tabuada o obstáculo principal para os «indignados» conseguirem o almejado emprego, sabendo-se que já não há vagas no jornalismo, uma das poucas profissões em que do domínio da aritmética não é um requisito?

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