Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

27/10/2010

ESTÓRIAS E MORAIS: Queixar-se de barriga cheia

Estória

Ao fim de muitos anos de limitação da abertura das grandes superfícies aos domingos e feriados, o governo percebeu (ou não percebeu, mas cedeu às pressões dos grupos de distribuição) finalmente que essa limitação não tinha efeitos na protecção do comércio tradicional. Condenado a prazo, com ou sem abertura das grandes superfícies aos domingos e feriados, o pequeno comércio está limitado a longo prazo a alguns nichos muitos especializados e, frequentemente, a uma clientela sofisticada e com poder de compra suficiente para pagar o prémio dum serviço personalizado e de qualidade. Acontece que o pequeno comércio fez tudo menos caminhar para esta conversão indispensável e continuou a oferecer uma gama generalista de produtos sem diferenciação, sem qualidade de serviço e com preços mais elevados.
Aparentemente a ampliação do horário teve sucesso e os hipermercados que já a adoptaram tiveram no domingo passado uma grande procura. Toda a gente parece ter ficado satisfeita - quem sabe se os pequenos comerciantes também aproveitaram a ocasião para fazer compras? Toda a gente? Não. Há pelo menos duas almas ouvidas pelo Diário Económico que ficaram traumatizadas. Uma economista disse «tínhamos conseguido algum nível de desenvolvimento, podemos dizer que é um critério as pessoas poderem ter um convívio familiar mais alargado e isto é andar para trás, diz enquanto empurra o carro de compras cheio até cima». Um técnico de telecomunicações disse «foi traumático».

Moral
A abertura aos domingos das grandes superfícies não prejudica os pequenos comerciantes, mas pode prejudicar a saúde mental dos pequenos patetas que se queixam das oportunidades que lhes oferecem.

Sem comentários: